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ElBaradei desponta como favorito para conduzir transição no Egito

Internacional|Do R7

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Belém Delgado. Cairo, 6 jul (EFE).- O político liberal e vencedor do prêmio Nobel da Paz, Mohamed ElBaradei, desponta como principal candidato a ser primeiro-ministro do Egito, após a rodada de contatos realizada neste sábado pelo presidente interino, Adly Mansour, que ainda não tomou uma decisão definitiva a respeito. O assessor de imprensa da presidência egípcia, Ahmed el Moslimani afirmou hoje em entrevista coletiva que ElBaradei é um dos candidatos a ocupar a chefia do Estado, mas detalhou que Mansour ainda "precisa de tempo" para fazer uma boa escolha. Desta forma, Moslimani desmentiu o divulgado previamente pela agência estatal de notícias "Mena", que garantiu que Mansour tinha encarregado ElBaradei de formar um governo. Designado pelas Forças Armadas após o golpe de Estado que no último dia 3 depôs o presidente Mohammed Mursi, Mansour se reuniu com dirigentes políticos, assessores e com os ministros da Defesa, Abdel Fatah al Sisi, e do Interior, Mohammed Ibrahim. ElBaradei foi um dos convidados a essa rodada de contatos, na qual também estiveram o islamita moderado Abdel Moneim Abul Futuh e o secretário-geral do partido salafista Al Nour, Galal Morra, entre outros. Líder do partido Al Dustur (A Constituição), ElBaradei é conhecido pela simpatia que desperta entre os jovens revolucionários e passou de opor-se à Junta Militar que dirigiu o Egito desde a queda do presidente Hosni Mubarak em 2011 a posicionar-se contra Mursi, que ganhou as eleições presidenciais de 2012. No entanto, obteve seu maior impulso há poucos dias, quando a Frente 30 de Junho, que integra a campanha que recolheu assinaturas e convocou manifestações nesse dia contra Mursi, o escolheu como representante político para a nova etapa inaugurada pelos militares. Após ter assumido como presidente interino e dissolvido a câmara alta do Parlamento dominada pelos islamitas em apenas dois dias, Mansour está atualmente buscando um sucessor para o primeiro-ministro Hisham Qandil, que tinha sido nomeado por Mursi. A rapidez com a qual o presidente interino está realizando as reformas não agradou os salafistas do Al Nour, que apoiaram o golpe de Estado para evitar o derramamento de sangue e que hoje criticaram que "não foram consultados" sobre a suposta nomeação de ElBaradei, uma figura pouco apreciada entre os islamitas. Quem também se opôs a essa designação, antes de ser desmentida, foi a Irmandade Muçulmana, que considera que ElBaradei "pode acender a discórdia no Egito". Contrários a esse tipo de manobra, a Irmandade voltou a sair hoje às ruas para reivindicar a volta ao poder de Mursi, antigo membro da confraria. Milhares de pessoas se reuniram na praça Rabea al Adauiya, reduto islamita no oeste do Cairo, para manter a pressão e condenar o golpe militar. "Votamos em Mursi. Houve gente que não votou, mas a maioria sim. É preciso respeitá-lo porque assim é a democracia", disse à Efe a professora Lobna Abdelaziz. Em um ambiente carregado de palavras de ordem religiosas, muitos manifestantes levavam um cartaz verde (a cor do islã) que dizia "Fique em seu lugar", uma forma de dizer que manterão as manifestações até conseguir a restituição do único presidente que consideram legítimo. Enquanto isso, a Frente 30 de Junho convocava manifestações para garantir que o processo atual siga seu rumo. A situação é de tensa calma no país, depois que partidários e opositores de Mursi se enfrentaram ontem em distúrbios que causaram a morte de pelo menos 35 pessoas e ferimentos em cerca de 1,4 mil, segundo números do Ministério da Saúde. Além disso, o Ministério Público decidiu hoje manter em prisão preventiva durante 15 dias os dirigentes da Irmandade Muçulmana acusados de instigar à violência, horas depois da detenção do "número dois" da confraria, Jairat al Shater. EFE bds/rsd (foto)(vídeo)

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