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Eleições municipais evidenciam divisão política na Venezuela

Internacional|Do R7

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Nélida Fernández. Caracas, 9 dez (EFE).- O chavismo e a oposição comemoraram nesta segunda-feira sua vitória nas eleições municipais de ontem e, enquanto o governo destacou seu triunfo na maioria das praças, a oposição ressaltou sua conquista nas cidades mais importantes, embora nenhum dos dois tenha conseguido uma vitória absoluta. "Triunfo é triunfo", disse hoje o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em um evento que presidiu para comemorar a vitória de seu candidato na capital do estado de Miranda, cujo governador é o líder da oposição Henrique Capriles. "Estamos ganhando 80% de todas as Prefeituras do país", disse Maduro que também destacou que sua coalizão, formada principalmente pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) obteve 54% dos votos. Segundo os resultados oferecidos ontem pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), o chavismo obteve 5,1 milhões de votos (49,2%) frente aos 4,4 milhões (42,7%) da MUD, a coligação de partidos antichavistas. O presidente venezuelano comentou que, levando-se em conta que Capriles pediu que as eleições fossem encaradas como um plebiscito, ele é quem deveria renunciar a seu cargo de governador, pois foi derrotado em seu estado, uma sugestão que já fez ontem e que hoje foi rejeitada pelo líder da oposição. O governador do estado de Barinas e irmão do falecido presidente Hugo Chávez (1999-2013), Adan Chávez, disse aos jornalistas que hoje o governo tem "muitos motivos para comemorar", apesar de dois dos 11 municípios desse estado terem ficado nas mãos da oposição, inclusive a capital, também chamada Barinas. "Tivemos uma baixa sensível", disse ao se referir a essa derrota, mas também declarou: "Não falhamos com você", em alusão ao governante falecido e ao "Dia do Amor e Lealdade a Hugo Chávez" que, por decreto presidencial, foi celebrado ontem, no dia das eleições. Na aliança de oposição Mesa da Unidade Democrática (MUD) não houve porta-vozes com discursos de comemoração, mas foram destaques as vitórias em várias grandes cidades como Valência, Maracaibo, Barquisimeto, Maturín, e a já mencionada Barinas. Além disso, a coligação de oposição também conseguiu os municípios de Baruta, Sucre, Chacao, Hatillo e a Prefeitura Metropolitana de Caracas onde já tinha o poder. O coordenador nacional do partido de Capriles (Primero Justicia), Julio Borges, comemorou hoje essas vitórias destacando que as mesmas foram alcançadas apesar do "uso grosseiro de recursos públicos pelo governo e do medo semeado nos funcionários públicos e nos beneficiados pelos programas sociais". Também fez menção aos discursos presidenciais transmitidos em rede obrigatória de rádio e televisão em que desqualificou a oposição, a suposta pressão aos meios de comunicação privados para não transmitirem declarações da oposição e o decreto de amor e lealdade a Chávez. Rejeitou, além disso, o que denominou de "perseguição política do governo contra a oposição" e lembrou os casos de deputados que Maduro acusou diretamente de terem incorrido em práticas ilícitas e sobre quem foram acionadas medidas judiciais. Analistas políticos coincidiram em afirmar que as medidas econômicas tomadas por Maduro nas últimas semanas como "a luta contra a especulação" e a exigência de que o comércio cobrasse "preços justos" tiveram influência no apoio que foi dado ao chavismo no pleito. Segundo Maduro, a inflação de 54% anualizada no país se deve por causa da "guerra econômica" que, garantiu, foi declarada contra seu governo pela oposição e pelo empresariado. De acordo com o economista e presidente da Datanálisis, Luis Vicente León, a estratégia eleitoral do chavismo "foi bem-sucedida" e "se traduziu em um aumento de 5% da percepção positiva na administração de Maduro" e opinou que o cenário atual seria diferente sem essas medidas econômicas. Capriles, que ontem fez um pedido de reflexão e diálogo após, mais uma vez, ficar evidente a divisão do país, prometeu que vai seguir trabalhando para unir à Venezuela depois que Maduro exigiu sua renúncia. "Assim como dissemos ontem à noite, temos uma Venezuela dividida! Nós vamos continuar trabalhando para unir nosso país e tirá-lo deste caos", para o qual "o país necessita de união, diálogo e nós faremos tudo para alcançá-lo, seguimos adiante!", escreveu hoje no Twitter. EFE nf/rpr (foto)

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