Logo R7.com
RecordPlus

Em Berlim, Obama defende estratégia de inteligência dos EUA

Internacional|Do R7

  • Google News

Por Jeff Mason e Noah Barkin

BERLIM, 19 Jun (Reuters) - O presidente dos EUA, Barack Obama, defendeu as táticas antiterrorismo dos Estados Unidos durante visita a Berlim nesta quarta-feira, dizendo a alemães desconfiados que Washington não espiona os emails de cidadãos comuns e prometendo aumentar os esforços para fechar a prisão na Baía de Guantánamo.


No 50º aniversário do famoso discurso "Ich bin ein Berliner" de John F. Kennedy, Obama fez sua primeira visita presidencial à capital alemã, destino preferido dos líderes norte-americanos durante a Guerra Fria.

Ele conversou com a chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel e fez um discurso no Portão de Brandemburgo, no qual revelou uma proposta para novas conversas com a Rússia sobre reduções em arsenais de armas nucleares.


Obama, que atraiu uma multidão de 200 mil fãs quando passou pela última vez na cidade, em 2008, durante sua primeira campanha para a Presidência, continua popular na Alemanha.

Mas revelações pouco antes da viagem sobre um programa secreto de vigilância da Internet dos EUA, com o codinome Prism, provocou escândalo em um país onde memórias das escutas da polícia secreta Stasi, da Alemanha Oriental, ainda são recentes.


Merkel disse, em uma coletiva de imprensa conjunta com Obama, que os dois líderes tinham conversado "longa e intensivamente" sobre a questão de espionagem, observando que algumas perguntas ainda precisavam ser esclarecidas.

Obama tentou tranquilizar sua anfitriã, que, como filha de um pastor e criada no leste comunista, experimentou a Stasi em primeira mão.


"Essa não é uma situação na qual vasculhamos os emails de cidadãos alemães ou cidadãos americanos ou cidadãos franceses comuns ou de qualquer pessoa", disse Obama.

"Essa não é uma situação na qual simplesmente vamos para a Internet e começamos a vasculhar da forma que quisermos. Esse é um sistema circunscrito dirigido a nós para que possamos proteger nosso povo, e tudo isso é feito sob a supervisão dos tribunais".

Em uma mensagem que parecia visar sua audiência doméstica, Merkel disse a Obama que equilíbrio era essencial no monitoramento de comunicações na Internet pelo governo.

"Deixei claro que, embora vejamos a necessidade de reunir informações, o tópico da proporcionalidade é sempre um tópico importante e a ordem democrática livre é baseada na segurança sentida pelas pessoas", disse a chanceler, de 58 anos.

Obama respondeu que os EUA tinham frustrado pelo menos 50 ameaças por causa de seu programa de monitoramento, inclusive ataques planejados na Alemanha.

"Então, vidas foram salvas e a invasão de privacidade vem sendo rigidamente limitada", disse.

Uma pesquisa na semana passada mostrou que 82 por cento dos alemães aprovam Obama, mas a mágica de 2008, quando ele foi recebido como uma estrela de rock, desapareceu em meio a temores sobre suas táticas antiterroristas.

VALORES COMUNS

Em seu discurso para 4 mil convidados no Portão de Brandemburgo, Obama relembrou Kennedy, destacando o que chamou de valores comuns de abertura e tolerância.

"Podemos ser um pouco mais informais entre amigos", brincou enquanto tirava seu paletó sob o sol causticante na Pariser Platz, no lado oriental do Portão.

Antes, na coletiva de imprensa, ele falou sobre as tensões com o presidente afegão, Hamid Karzai, sobre os planos dos EUA de iniciar conversas com o Taliban para tentar buscar uma paz negociada depois de 12 anos de guerra, reconhecendo uma "enorme desconfiança" entre o governo apoiado pelo Ocidente em Cabul e seus arqui-inimigos.

"Nós realmente achamos que no fim vamos precisar ver afegãos falando com afegãos sobre como podem seguir em frente e o fim do ciclo da violência ali para que eles possam começar de fato a construir seu país", disse Obama.

Sobre a Síria, Obama disse que relatos de que os Estados Unidos estavam prontos para "ir com tudo" para a guerra no país eram exagerados. Ele reiterou sua opinião de que o governo do presidente Bashar al-Assad havia usado armas químicas, enquanto reconhecia que a Rússia estava cética sobre esse ponto.

Mas não quis dar detalhes sobre uma nova ajuda militar que Washington planeja dar aos rebeldes sírios.

(Reportagem adicional de Stephen Brown, Roberta Rampton, Annika Breidthardt, Alexandra Hudson e Michelle Martin)

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.