Em uma década, mais de 1 milhão de pessoas foram assassinadas na América Latina
Relatório da ONU divulgado hoje mostra que a taxa de homicídios na região é epidêmica
Internacional|Do R7

Como uma doença, ela se espalha pela região e aterroriza os cidadãos. É dessa forma que as Nações Unidas classificam a violência na América Latina nos últimos anos: uma verdadeira epidemia. Relatório divulgado nesta terça-feira (12) pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), em Nova York, mostra que, entre 2000 e 2010, ao menos 1 milhão de pessoas foram assassinadas na região.
De acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano Regional (RDH) 2013-2014, a América Latina revelou um paradoxo na última década: a região foi palco de duas grandes expansões, a econômica e a criminal.
Apesar das melhorias sociais, a América Latina continua a ser a região mais desigual e a mais insegura do mundo, diz o documento. Enquanto a taxa de homicídios diminuiu em outras partes do planeta, o problema tem aumentado na América Latina, que registra mais de 100 mil homicídios a cada ano, chegando a mais de 1 milhão de assassinatos entre 2000 e 2010.
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Segundo o documento, a insegurança é um obstáculo ao desenvolvimento econômico e social e um desafio compartilhado por todos os países da América Latina.
Embora a taxa de homicídios tenha se estabilizado e até diminuído em alguns países, ela ainda é alta na América Latina: em 11 dos 18 países analisados, a taxa é superior a 10 homicídios por 100 mil habitantes, um nível considerado epidêmico. Além disso, em todos os países estudados, a percepção de segurança se deteriorou, e o roubo triplicou nos últimos 25 anos, tornando-se o crime que mais afeta os latino-americanos.
O estudo se concentra em seis principais ameaças interligadas e que impactam negativamente a região: criminalidade de rua; violência e criminalidade exercida contra e pelos jovens; violência de gênero; corrupção; violência por agentes do estado; e o crime organizado.
Soluções
“Não há uma solução mágica para a insegurança na América Latina, mas este grave problema tem remédio e requer visão e vontade política a longo prazo,” disse o Subsecretário-Geral da ONU e Diretor do PNUD para a América Latina e Caribe, Heraldo Muñoz, durante a apresentação do relatório.
— Cada país precisa de um Acordo Nacional de Segurança Cidadã, entre governo, partidos políticos e sociedade civil, para evitar politizar a segurança e torná-la, de fato, numa política de Estado.
“Apesar de algumas ameaças — como o crime organizado e especialmente o tráfico de drogas — serem comumente usadas para explicar a insegurança, as dinâmicas regional, nacional e local são muito mais diversificadas”, explica o principal autor do RDH, Rafael Fernandez de Castro.
Uma das principais lições aprendidas na região é que as chamadas políticas de “mão de ferro” não funcionam: a forte repressão policial e criminal, muitas vezes, coincidiu com altas taxas de criminalidade na América Latina, diz o relatório.
As experiências analisadas confirmam que uma abordagem que proteja o direito à vida com dignidade e integridade física e material está no centro da segurança cidadã.
O estudo diz ainda que não bastam medidas de controle da criminalidade. Para uma redução duradoura da insegurança, são recomendadas políticas públicas que melhorem a qualidade de vida da população, com prevenção do crime e da violência por meio de um crescimento econômico inclusivo e instituições de segurança e de justiça eficazes.
“A segurança cidadã é uma questão sensível que preocupa os tomadores de decisão e repercute no calor das campanhas eleitorais,” disse a Administradora do PNUD, Helen Clark.
— É uma questão crucial para várias regiões, incluindo a América Latina e o Caribe, porque sem paz não pode haver desenvolvimento, e sem desenvolvimento não pode haver paz duradoura.












