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Em uma década, mais de 1 milhão de pessoas foram assassinadas na América Latina

Relatório da ONU divulgado hoje mostra que a taxa de homicídios na região é epidêmica

Internacional|Do R7

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Peritos transportam corpo de italiano de 68 anos morto em restaurante de Acapulco, no México, no domingo (10). Moreno Gallo teria sido membro da máfia italiana no Canadá nos anos 70
Peritos transportam corpo de italiano de 68 anos morto em restaurante de Acapulco, no México, no domingo (10). Moreno Gallo teria sido membro da máfia italiana no Canadá nos anos 70

Como uma doença, ela se espalha pela região e aterroriza os cidadãos. É dessa forma que as Nações Unidas classificam a violência na América Latina nos últimos anos: uma verdadeira epidemia. Relatório divulgado nesta terça-feira (12) pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), em Nova York, mostra que, entre 2000 e 2010, ao menos 1 milhão de pessoas foram assassinadas na região.

De acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano Regional (RDH) 2013-2014, a América Latina revelou um paradoxo na última década: a região foi palco de duas grandes expansões, a econômica e a criminal.


Apesar das melhorias sociais, a América Latina continua a ser a região mais desigual e a mais insegura do mundo, diz o documento. Enquanto a taxa de homicídios diminuiu em outras partes do planeta, o problema tem aumentado na América Latina, que registra mais de 100 mil homicídios a cada ano, chegando a mais de 1 milhão de assassinatos entre 2000 e 2010.

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Segundo o documento, a insegurança é um obstáculo ao desenvolvimento econômico e social e um desafio compartilhado por todos os países da América Latina.


Embora a taxa de homicídios tenha se estabilizado e até diminuído em alguns países, ela ainda é alta na América Latina: em 11 dos 18 países analisados, a taxa é superior a 10 homicídios por 100 mil habitantes, um nível considerado epidêmico. Além disso, em todos os países estudados, a percepção de segurança se deteriorou, e o roubo triplicou nos últimos 25 anos, tornando-se o crime que mais afeta os latino-americanos.

O estudo se concentra em seis principais ameaças interligadas e que impactam negativamente a região: criminalidade de rua; violência e criminalidade exercida contra e pelos jovens; violência de gênero; corrupção; violência por agentes do estado; e o crime organizado.


Soluções

“Não há uma solução mágica para a insegurança na América Latina, mas este grave problema tem remédio e requer visão e vontade política a longo prazo,” disse o Subsecretário-Geral da ONU e Diretor do PNUD para a América Latina e Caribe, Heraldo Muñoz, durante a apresentação do relatório.

— Cada país precisa de um Acordo Nacional de Segurança Cidadã, entre governo, partidos políticos e sociedade civil, para evitar politizar a segurança e torná-la, de fato, numa política de Estado.

“Apesar de algumas ameaças — como o crime organizado e especialmente o tráfico de drogas — serem comumente usadas para explicar a insegurança, as dinâmicas regional, nacional e local são muito mais diversificadas”, explica o principal autor do RDH, Rafael Fernandez de Castro.

Uma das principais lições aprendidas na região é que as chamadas políticas de “mão de ferro” não funcionam: a forte repressão policial e criminal, muitas vezes, coincidiu com altas taxas de criminalidade na América Latina, diz o relatório.

As experiências analisadas confirmam que uma abordagem que proteja o direito à vida com dignidade e integridade física e material está no centro da segurança cidadã.

O estudo diz ainda que não bastam medidas de controle da criminalidade. Para uma redução duradoura da insegurança, são recomendadas políticas públicas que melhorem a qualidade de vida da população, com prevenção do crime e da violência por meio de um crescimento econômico inclusivo e instituições de segurança e de justiça eficazes.

“A segurança cidadã é uma questão sensível que preocupa os tomadores de decisão e repercute no calor das campanhas eleitorais,” disse a Administradora do PNUD, Helen Clark.

— É uma questão crucial para várias regiões, incluindo a América Latina e o Caribe, porque sem paz não pode haver desenvolvimento, e sem desenvolvimento não pode haver paz duradoura.

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