Embaixador no Brasil afirma que Nigéria está fazendo operações “pente-fino” para resgatar estudantes
Responsável pelo sequestro, Boko Haram é um problema isolado no norte do país
Internacional|Marta Santos, do R7

A Nigéria poderia ser destaque no noticiário internacional por diversas razões. Economicamente, é o país que mais cresce e o que mais recebe investimentos estrangeiros em toda a África.
Com mais de 170 milhões de habitantes, divididos em mais de 200 tribos, é um país com grande diversidade cultural e que atua fortemente em missões de paz por toda a África.
Mas, infelizmente, o motivo pelo qual os olhos do mundo estão voltados para o país é outro: o sequestro de mais de 200 estudantes no dia 14 de abril. As meninas foram levadas de dentro de uma escola pelo Boko Haram, um grupo radical islâmico, que condena a educação ocidental.
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Desde então, o governo nigeriano tem feito operações “pente-fino” para identificar supostos membros do grupo no Estado de Borno, disse o embaixador da Nigéria no Brasil, Adamu Azimeyeh Emozozo, em entrevista ao R7. É nesta região que fica o refúgio do grupo, a floresta de Sambisa.
— As operações estão dando certo e alguns membros do Boko Haram já foram presos e estão sob custódia policial.
Até que as meninas sejam resgatas, o governo nigeriano também dará assistência às famílias, ainda segundo o embaixador, em um centro de informações onde elas poderão se atualizar sobre o andamento das buscas.
Contexto político e social
O Boko Haram surgiu na década de 1990, quando o líder Mohammed Yusuf passou a pregar ideias islâmicas radicais e ortodoxas, mas as ações do grupo só se tornaram mais violentas em 2009, quando eclodiram fortes confrontos com o Exército e o ex-líder do grupo foi capturado e morto.
Após esse episódio, o governo nigeriano traçou estratégias específicas para combater o grupo. “O orçamento de segurança foi aumentado para compra de equipamentos modernos para a polícia e o Exército, além disso, a população é encorajada com recompensas a dar informações sobre os militantes”, explicou o embaixador.
— Os membros do Boko Haram são terroristas que se camuflam entre a população e, por isso, são muito difíceis de identificar. Este é um tipo de inimigo difícil de combater.
Em 2009, o então presidente da Nigéria, Umaru Yar'Adua, se afastou do cargo para tratar de problemas de saúde e seu vice, Goodluck Jonathan, assumiu para cumprir o último ano do mandato. Nas eleições do ano seguinte, Jonathan, que é cristão, concorreu e ganhou a Presidência nigeriana.
Há denúncias de que, insatisfeitos com o resultado da eleição, políticos opositores prometeram que fariam com que o governo dele se tornasse impossível e que eles teriam introduzido o Boko Haram no país. Além disso, as ações do grupo teriam se intensificado neste ano devido às eleições presidencias de 2015.
Mas é importante ressaltar que o Boko Haram não tem influência em todo o território nigeriano. Dos 36 Estados do país, o grupo atua em apenas três, Yobe, Borno e Adamawa, regiões onde há um estado de emergência decretado pelo governo desde maio de 2013.
Perguntado sobre as denúncias, o embaixador Emozozo disse ao R7 que não há evidências que comprovem o envolvimento de políticos com o grupo terrorista e que ele não acredita que as ações do Boko Haram possam atrapalhar o andamento ou influenciar no resultado das eleições.









