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Enfrentamentos na região autônoma chinesa de Xinjiang deixa 16 mortos

Internacional|Do R7

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Pequim, 16 dez (EFE).- Dezesseis pessoas morreram - dois policiais e 14 insurgentes - em um enfrentamento armado na região autônoma chinesa de Xinjiang, onde o conflito entre o regime comunista e minorias muçulmanas como os uigures aumentou nos últimos quatro anos. Segundo informações desta segunda-feira divulgadas pelo site oficial da região "Tianshan News", um grupo de supostos terroristas armados com facões e explosivos fez uma emboscada contra a polícia local na noite de domingo no condado de Shufu, perto da cidade de Kashgar, centro histórico e cultural dos uigur, na fronteira com a Ásia Central. A polícia estava na região para fazer várias detenções quando aconteceu o confronto, afirmou o site oficial, sem dar mais detalhes sobre a operação. O ataque inicial, ocorrido na noite de domingo, deixou dois policiais mortos. As baixas ocorreram no momento em que os soldados de segurança abriram fogo e mataram 14 supostos terroristas e detiveram outros dois, acrescentou o site. Horas depois do ataque, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês Hua Chunying declarou que "atos de violência como o de ontem são amostras de desumanização e falta de espírito social que só pretendem sabotar a paz e a estabilidade da China". "A população de Xinjiang só quer viver em paz", acrescentou, após dizer que a China é "um país sob o império da lei" e que "proteger a população é um princípio sagrado" para a potência asiática. Enfrentamentos entre forças policiais e insurgentes, que Pequim qualifica como ataques terroristas, causaram centenas de mortos nos últimos anos em Xinjiang. O mais recente ocorreu em 16 de novembro, quando 11 pessoas, incluindo dois policiais, morreram durante o ataque a uma delegacia na cidade de Serikbuya. Semanas antes, em 28 de outubro, um carro em que viajavam três pessoas de etnia uigur atropelou dezenas de pessoas e pegou fogo junto ao retrato de Mao Tsé-tung na porta da Cidade Proibida em Pequim, uma ação que deixou cinco mortos e que o governo chinês também atribuiu a grupos separatistas uigures. Ataques a delegacias de polícia, instalações militares e outros interesses do regime comunista em Xinjiang se tornaram muito comuns na região desde agosto de 2008, quando 16 pessoas morreram no primeiro destes incidentes, ocorrido em Kashgar quatro dias antes do início da Jogos Olímpicos de Pequim. Além disso, a capital regional de Xinjiang, Urumqi, foi em 2009 o cenário do pior confronto étnico na China das últimas décadas, quando diversos protestos de uigures se transformaram em violentas brigas com imigrantes que deixaram cerca de 200 mortos. Enquanto Pequim defende um maior controle na região para fazer frente ao que denomina "grupos separatistas, extremistas e terroristas", os uigures criticam o aumento da repressão policial e a discriminação que sofrem por sua cultura e religião. Já o regime comunista afirma que a maioria dos ataques são obra do Movimento Islâmico do Turquestão Oriental (ETIM, sigla em inglês), uma organização que segundo Pequim tem vínculos com a rede terrorista internacional Al Qaeda. Para os analistas, o conflito uigur, somado ao que Pequim mantém também no Tibete (região na fronteira com Xinjiang) e as tensões étnicas similares na Mongólia Interior mostram deficiências graves nas relações de Pequim com as minorias nacionais, baseadas em décadas de promessas não cumpridas de desenvolvimento econômico em troca de um forte controle social e religioso. Embora representem menos de 5% da população da China, estas minorias vivem em uma grande extensão de território nacional (mais de um terço da área total), e seus líderes no exílio acusam Pequim de décadas de colonização para exaurir seus recursos e de discriminação em favor da maioria Han. EFE msr/jcf-dk

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