Entenda o que está em jogo nas conversas técnicas entre EUA e Irã no Catar
Negociações discutem livre navegação no estreito de Ormuz, ativos iranianos congelados, sanções econômicas e cessar-fogo
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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Os Estados Unidos e o Irã participam, no Catar, de uma nova rodada de negociações técnicas voltadas à discussão de um acordo definitivo entre os dois países. As reuniões, iniciadas na terça-feira (30) e que continuam nesta quarta-feira (1º), ocorrem após a assinatura de um acordo provisório que trata do fluxo de navios no estreito de Ormuz, da liberação de ativos iranianos congelados no exterior e da busca por um cessar-fogo permanente.
As conversas reúnem negociadores-chefes e especialistas de ambos os países, com mediação do governo do Catar. Segundo Lier Ferreira, pesquisador do Núcleo de Estudos dos Países BRICS da UFF (Universidade Federal Fluminense), os 14 pontos em discussão abrangem temas sensíveis na relação bilateral entre EUA e Irã.
Entre as prioridades do Irã está o reconhecimento internacional de sua autoridade no controle em relação ao estreito de Ormuz, além da possibilidade de implementar cobranças para navios que passam pelo Golfo. Pelo acordo provisório firmado com os Estados Unidos, o Irã autorizou a passagem gratuita das embarcações por um período de 60 dias. No entanto, as taxas poderão ser retomadas caso não haja uma prorrogação do atual acordo ou a assinatura de um novo até agosto.
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Essa situação impacta os mercados globais de petróleo, uma vez que o estreito de Ormuz é uma das principais rotas marítimas para o transporte da commodity. Para o Irã, a cobrança representaria uma oportunidade econômica. “Esse é o dinheiro que o Irã precisa, não apenas para reorganizar sua economia, mas para garantir que os seus esforços de atualização bélico-militar vão continuar”, avalia Ferreira.
Do lado norte-americano, as negociações têm como foco limitar as capacidades nucleares iranianas. Entre as propostas discutidas estão a retirada de cerca de 450 quilos de urânio enriquecido e a implementação de mecanismos mais rigorosos de fiscalização do programa nuclear do país.
Apesar das divergências, há espaço para concessões. Uma das possibilidades em análise é que o Irã desista da cobrança de taxas sobre o tráfego marítimo caso obtenha avanços na suspensão de sanções econômicas e no desbloqueio de recursos mantidos no exterior. Nesse cenário, a negociação poderia representar um passo importante para a redução das tensões entre os dois países e para a estabilidade da região.
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