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Questão nuclear e prazo de 60 dias ameaçam acordo entre EUA e Irã, avalia professor

Divergências entre Teerã e Washington, disputas no estreito de Ormuz e pressões políticas ampliam as incertezas

Internacional|Do R7, com RECORD NEWS

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O acordo nuclear entre Irã e EUA enfrenta incertezas devido a divergências e desafios estruturais, com inspeções nucleares sendo um dos principais entraves.
  • O prazo de 60 dias para ratificação do acordo é considerado longo em um cenário geopolítico instável, com múltiplos atores influenciando o processo.
  • O Irã obteve ganhos econômicos ao retomar o acesso ao mercado internacional de petróleo, ampliando sua influência estratégica.
  • O estreito de Ormuz é um ponto central nas disputas, com potencial impacto na economia global e segurança alimentar.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O acordo sobre o programa nuclear iraniano enfrenta um cenário de incerteza, marcado por divergências entre Irã e Estados Unidos e por desafios estruturais para sua implementação. Apesar dos avanços nas negociações, o processo permanece em um limiar entre ser encerrado e continuar, diante dos obstáculos políticos.

Um dos principais entraves são as inspeções do programa nuclear. A Agência Internacional de Energia Atômica deve conduzir as verificações, mas Teerã resiste a conceder o acesso irrestrito. A própria estrutura do programa, com instalações dispersas e consideradas sensíveis, amplia a complexidade.

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Autoridades e representantes em evento internacional, com painel ao fundo exibindo “Lake Lucerne Summit” e bandeiras de diferentes países.
Professor analisa dificuldades para acordo entre Irã e EUA prosperar Reprodução/Record News

Outro ponto crítico é o prazo de 60 dias para a ratificação. Para José Luiz Niemeyer, professor de Relações Internacionais do IBMEC, “60 dias é tempo demais”, especialmente em um cenário geopolítico instável, com múltiplos atores influenciando o processo. Israel, por exemplo, mantém uma postura independente, com interesses distintos dos Estados Unidos.

No campo político, o impacto interno nos EUA também pesa. Segundo a avaliação, o presidente Donald Trump vem perdendo apoio desde o início da guerra, o que pode influenciar decisões futuras e aumentar pressões no período eleitoral. Ao mesmo tempo, o Congresso sinaliza uma tensão institucional após aprovar uma resolução que limita os poderes do presidente Trump em relação a novos ataques ao Irã.

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Do ponto de vista econômico, o Irã obteve ganhos relevantes. Niemeyer afirma que o país teve uma vitória ao retomar o acesso ao mercado internacional de petróleo, fortalecendo sua economia e ampliando sua influência estratégica. Esse movimento também se relaciona ao estreito de Ormuz, considerado vital para o comércio global.

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O estreito é apontado como um ponto central nas disputas. Segundo o professor, trata-se de um “ponto nevrálgico da logística internacional”, com impacto direto no preço de combustíveis, seguros e fertilizantes, além de afetar cadeias produtivas globais, inclusive o agronegócio.

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A estratégia iraniana na região também ficou mais evidente. Como destaca Niemeyer, o Irã tende a “ameaçar controlar” o estreito, o que já é suficiente para gerar instabilidade e ampliar sua autonomia estratégica, mesmo sem o domínio formal da área.

Outro foco de tensão é o conflito no sul do Líbano. O Irã defende a retirada das tropas israelenses como parte do cessar-fogo, mas o impasse persiste. De acordo com Niemeyer, trata-se de uma “sinuca de bico” para ambos os lados, diante de acusações mútuas envolvendo apoio ao Hezbollah.

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Embarcações navegam por uma rota marítima em águas calmas, com outros navios visíveis ao fundo
Embarcações navegam pelo estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo e foco de tensões geopolíticas Reprodução/Record News

O cenário também preocupa organismos internacionais. O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que uma eventual paralisação do estreito de Ormuz pode comprometer a economia global e afetar a segurança alimentar, devido ao impacto sobre combustíveis e fertilizantes.

Diante desse conjunto de fatores — tensões geopolíticas, interesses econômicos e pressões internas —, o acordo segue cercado de incertezas. O desfecho dependerá da capacidade de negociação entre os envolvidos e da estabilidade em uma das regiões mais estratégicas do mundo.

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