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Entenda por que o resort da filha de Trump virou alvo de revolta na Albânia

Projeto de luxo será construído em ilha que foi uma base militar estratégica e que hoje é uma área de preservação da biodiversidade

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Projeto de resort de luxo na Albânia liderado por Ivanka Trump e Jared Kushner gera protestos devido a preocupações ambientais e soberania nacional.
  • Manifestantes exigem o cancelamento das obras na ilha de Sazan, uma área de preservação da biodiversidade, e já mobilizaram 40 organizações ambientais.
  • Investimento enfrenta investigações por possíveis irregularidades e confisco de ativos, além de desconfiança devido a histórico de conflitos de terra na Albânia.
  • Primeiro-ministro Edi Rama defende o projeto, apesar dos protestos e confrontos, alegando manipulação externa, enquanto a pressão popular aumenta.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Milhares de albaneses protestam contra um resort de luxo planejado pela filha de Donald Trump
Milhares de albaneses protestam contra um resort de luxo planejado pela filha de Donald Trump Florion Goga/Reuters - 15.06.2026

O projeto de um resort de luxo na Albânia, liderado pela filha e pelo genro de Donald Trump, Ivanka Trump e Jared Kushner, transformou-se no centro de uma crise social e política que já arrasta milhares de manifestantes às ruas da capital Tirana por 14 dias consecutivos.

Enquanto o primeiro-ministro Edi Rama defende o projeto como uma oportunidade para impulsionar o turismo e a adesão do país à UE (União Europeia), a população tem respondido com protestos noturnos e gritos de guerra como “a Albânia não está à venda”, exigindo o cancelamento imediato das obras planejadas para a ilha de Sazan e a costa de Zvernec.


A ilha de Sazan, com 5,7 km², serviu como base militar estratégica na Segunda Guerra Mundial e posto fortificado na era soviética, abrigando milhares de bunkers, túneis e munições não detonadas.

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A revolta popular é alimentada por preocupações ambientais, já que o projeto ocupará áreas de biodiversidade que servem de habitat para flamingos, focas e tartarugas marinhas. Pelo menos 40 organizações ambientais já se mobilizaram para pedir a suspensão dos planos, alertando que a entrada de máquinas pesadas — que desde maio já começaram a abrir vias e limpar o terreno — causará danos irreversíveis à região selvagem.


Esse sentimento de indignação foi intensificado por uma entrevista de Ivanka Trump, na qual afirmou que ela e o marido encontraram a ilha por acaso enquanto nadavam a partir do barco de um amigo. A afirmação foi recebida com sarcasmo e raiva por albaneses que veem nela uma postura predatória e desconectada da soberania nacional.

Para além das questões ecológicas, o empreendimento está sob a mira da Procuradoria Especial da Albânia, que abriu uma investigação relacionada a possíveis irregularidades. Recentemente, o tribunal ordenou o confisco de ativos no valor de 128,3 milhões de euros (aproximadamente R$ 770 milhões) de uma empresa envolvida em vendas de terrenos na área onde o projeto está planejado.


O empreendimento conta com investimentos estimados entre 1,4 bilhão de euros (cerca de R$ 8,3 bilhões) e 4 bilhões de euros (aproximadamente R$ 24 bilhões).

A concessão do status de “investidor estratégico” à empresa ligada a Kushner garante benefícios administrativos acelerados, o que levanta suspeitas de falta de transparência e corrupção.


Soma-se a isso o histórico de disputas de terras na Albânia após a queda do regime comunista. A transição para a propriedade privada gerou conflitos jurídicos e violentos que, há décadas, resultam em processos e até homicídios no país.

A desconfiança é reforçada pelo fracasso de um projeto similar de Jared Kushner na Sérvia, cancelado este ano após a prisão de um ministro por abuso de poder, servindo como um alerta para a região dos Bálcãs.

Apesar da pressão das ruas, em protestos que incluíram confrontos com a polícia, o primeiro-ministro Rama permanece firme em sua posição, afirmando que não há qualquer possibilidade de o investimento ser interrompido. Ele chegou a alegar que os protestos são incentivados por manipulação cibernética externa, enquanto o movimento popular continua ganhando força e as demandas evoluíram para pedidos de renúncia do premiê e convocação de eleições antecipadas.

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