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Entre a expectativa e o temor, Paquistão prepara-se para as eleições

Internacional|Do R7

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Islamabad, 10 mai (EFE).- A expectativa e o temor marcam nesta sexta-feira a véspera das eleições no Paquistão, onde as pesquisas preveem que a atual coalizão liberal dará vez a uma maioria de tendência conservadora. Os analistas locais e estrangeiros focam sua atenção tanto nos resultados que sairão das urnas como nas ameaças lançadas pelos talibãs contra candidatos e eleitores de um pleito que representa mais um degrau no processo de democratização do país. "Esperemos que sejam eleições limpas e com boa participação, mas esperemos, sobretudo, que não haja grandes problemas de segurança, porque isso seria um sinal muito ruim", disse um diplomata europeu à Agência Efe. Até agora, a violência rebelde causou a morte de cerca de 100 pessoas em incidentes ocorridos durante a campanha, especialmente na província de Khyber Pakhtunkhwa, no noroeste paquistanês, e na cidade de Karachi, no norte do país. A campanha foi encerrada ontem à noite com grandes comícios das principais formações, especialmente das duas que deverão protagonizar o pleito, a Liga Muçulmana-N (PML-N), do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, e o Pakistan Tehreek-e-Insaf (PTI), de Imran Khan. Sharif fechou sua campanha em seu reduto na cidade de Lahore, no leste do Paquistão, enquanto dezenas de milhares de pessoas acompanharam com fervor em Islamabad a aparição em vídeo do ex-jogador de críquete Imran Khan, que se recupera de ferimentos após cair de um palanque na terça-feira. Em entrevista publicada hoje pelo jornal local "Dawn", Sharif demonstra otimismo quanto à sua possível vitória, afirma que a resposta dos eleitores durante a campanha foi "melhor que em 2008", e minimiza a importância do poder de mobilização do PTI. "Benazir Bhutto (ex-primeira ministra e adversária de Sharif, assassinada em 2007) também costumava reunir multidões, inclusive em 1997, quando ganhamos dois terços das cadeiras", disse o líder da PML-N. A terceira principal formação da disputa, o até agora governante Partido Popular do Paquistão (PPP), encerrou sua campanha com vários comícios, um deles realizado nos arredores da capital. Como nas semanas anteriores, as ameaças talibãs tiveram um papel importante na mobilização. O principal chamariz do ato final na capital seria o ex-primeiro-ministro Raja Pervez Ashraf, mas sua presença acabou suspensa pelo temor a um atentado, segundo a imprensa local. Horas antes, Ali Haider Gilani, candidato do PPP e filho do antecessor de Ashraf, Yousuf Raza Gilani, foi sequestrado na cidade de Multan, no leste do Paquistão, em um incidente ainda não esclarecido mas que pode ter motivações políticas. Com relação aos resultados, todas as previsões dão como vencedor das eleições a PML-N, mas a dúvida principal é a margem do triunfo dessa formação conservadora com raiz na província de Punjab, a mais povoada do país. "Seremos a força mais votada, mas é difícil prever com que margem", reconhece o próprio Nawaz Sharif na entrevista publicada pelo jornal "Dawn", a quem expõe que sua formação pretende reforçar seu apoio em todo o território, não só no Punjab. O rival de Sharif, não para vencer amanhã mas para liderar uma possível aliança de Governo, é o popular Imran Khan, que encerrou a campanha prostrado em uma cama devido à queda que sofreu na terça-feira. "É possível que o PTI chegue a 50 cadeiras (272 estarão em disputada)", previu hoje o analista Imtiaz Gül, que enxerga a chance de essa formação liderar uma coalizão que leve Khan à chefia do Governo. No entanto, Gül, como a maioria dos analistas, vê como hipótese mais provável que Nawaz Sharif - "que seguramente somará mais de 100 cadeiras" - volte a ser primeiro-ministro, embora toda a movimentação dependa do incerto rendimento do terceiro partido da disputa, o PPP. Embora seja certo que a formação que lidera o atual Governo, o PPP da família Bhuto, perderá representantes (somou 124 em 2008), a possibilidade de que resista aos conservadores deixa aberta a porta a uma hipotética aliança com a PML-N. "O PPP tem uma grande massa de eleitores silenciosos mas muito fiéis em algumas zonas rurais, portanto é difícil prever qual será o seu resultado", explicou. A resposta será dada amanhã pelos mais de 86 milhões de eleitores esperados para votar a partir das 8h locais nos mais de 70 mil colégios eleitorais, que serão protegidos por 600 mil soldados e policiais. EFE pmm/pa (foto)

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