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Estados Unidos à beira dos cortes automáticos de orçamento

Internacional|Do R7

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O presidente norte-americano, Barack Obama, recebeu os líderes do Congresso na Casa Branca, com poucas esperanças de evitar o início automático de cortes orçamentários que ameaçam afetar o crescimento da primeira economia mundial a partir desta sexta-feira.

Os políticos da Câmara de Deputados, dominada pelos opositores republicanos de Obama, e os do Senado, dominado por seus aliados democratas, chegaram à sede da presidência às 10H05 (12H05 de Brasília), em seu primeiro encontro desde o começo desta última crise política orçamentária.


Desde 2011, quando os conservadores tomaram o controle de uma parte do poder legislativo, Obama e seus adversários se enfrentam pela forma de buscar o equilíbrio das contas públicas tendo como pano de fundo uma alta vertiginosa do endividamento da primeira economia mundial, atualmente de mais de 1,6 trilhão de dólares.

Na falta de um acordo, as duas partes encontraram soluções temporárias. A ideia, emitida em meados de 2011 pela Casa Branca e aceita pelos republicanos, foi a de colocar em andamento cortes automáticos nos gastos e que foram considerados muito dolorosos para incentivar a negociação de uma solução.


Isto foi, sem dúvida, a prova de um excessivo otimismo diante da persistente intransigência de cada lado: Obama aceitou o princípio dos cortes nos gastos, mas exige que os mais ricos paguem maiores impostos.

Mas isto representa uma bandeira vermelha para os republicanos, que já haviam aceitado esta medida em janeiro passado, durante uma negociação anterior, e uma maior pressão fiscal sobre os americanos com maior renda.


"Prometemos aos norte-americanos que reduziríamos os gastos de Washington, e o presidente promulgou os cortes. Os republicanos ofereceram muitas soluções ao presidente", disse esta manhã o líder da minoria republicana do Senado, Mitch McConnell, um dos participantes na reunião na manhã desta sexta-feira.

"Contudo, não haverá um acordo de última hora, assinado entre bastidores, e absolutamente nenhuma luz verde a uma alta de impostos", alertou. Além disso, os membros do Congresso já se retiraram para o fim de semana e voltarão a se encontrar na segunda-feira em Washington.


A presidência democrata alerta há vários dias sobre as consequências concretas de um corte de gastos de 85 bilhões de dólares nos sete últimos meses do ano fiscal, ou seja, 8% para defesa e 5% para outros setores, falando de desemprego parcial de funcionários e impactos aos serviços públicos.

Contudo, Obama assumiu o risco de atacar seus adversários na noite de quinta-feira ao descrevê-los como os únicos responsáveis pelo bloqueio. Eles se declararam a favor de "ameaçar nossa economia com um conjunto de cortes do orçamento automáticos e arbitrários que vão custar empregos e desacelerar a recuperação", acusou o presidente.

Mitt Romney, o senador republicano que perdeu para Obama nas eleições do ano passado, respondeu às acusações do presidente em sua primeira entrevista desde a derrota eleitoral.

"(Obama) não pensou que o sequestro aconteceria. Está acontecendo", disse Romney. "Contudo, até a data, o que vimos é o presidente fazendo campanha (...), comícios por todo o país, voando por todo o país e repreendendo os republicanos", acrescentou.

Na véspera, o presidente tinha explicado, contudo, que os cortes não teriam necessariamente um efeito brutal imediato, mas que aumentaria ao longo das semanas. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estimou em 0,5 ponto percentual o efeito negativo desta medida sobre o crescimento da economia, que ainda se recupera.

O dispositivo que prevê esta medida de austeridade estipula que será Obama que deverá comunicar formalmente a sua administração antes das 23H59 da noite desta sexta-feira (01H59 de Brasília, de sábado) o começo da redução de gastos. O governo começará a enviar cartas a milhares de funcionários para preveni-los de possíveis licenças não-remunerados.

Esta crise deve se somar muito em breve a outra, ainda mais ameaçadora: o financiamento do Estado federal para os últimos meses do exercício 2013, que deverá ser objeto de um voto no Congresso antes de 27 de março e sem o qual os serviços públicos deverão fechar pura e simplesmente.

O chefe dos democratas no Senado, Harry Reid, espera que esta nova alta nas apostas no jogo político e econômico sirva para que finalmente ambos os lados cheguem a um acordo.

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