Logo R7.com
RecordPlus

Estados Unidos evitam moratória no último minuto

Internacional|Do R7

  • Google News

Alfonso Fernández. Washington, 16 out (EFE).- A dramática contagem regressiva para evitar a moratória dos Estados Unidos terminou nesta quarta-feira, faltando apenas algumas horas para se chegar à data limite estabelecida pelo Tesouro do país para se elevar o teto da dívida federal de US$ 16,7 trilhões, encerrando - momentaneamente - a crise fiscal vivida pelo país nos últimas duas semanas. Depois que o Congresso foi incapaz de encontrar uma saída para se elevar o teto de dívida e reabrir a Administração federal, finalmente, os eventos se encaminharam no último dia. Os líderes de democratas e republicanos no Senado, Harry Reid e Mitch McConnell, anunciaram na manhã de hoje que tinham chegado a um acordo bipartidário, dando fim a um processo marcado pela confusão e tensões partidárias. Sua proposta, aprovada por grande maioria (81 votos contra 18), permite o financiamento da Administração federal até 15 de janeiro e a elevação do teto de dívida até 7 de fevereiro, com o que se espera um novo enfrentamento entre as diferentes correntes políticas daqui a três meses. "Este compromisso que alcançamos oferecerá à nossa economia a estabilidade necessária. O país esteve à beira do colapso. Mas, finalmente, os adversários políticos deixaram de lado suas diferenças e desacordos para evitar o desastre", afirmou Reid após a votação. A medida passou imediatamente à votação na Câmara dos Representantes, de maioria republicana, e seu presidente, John Boehner, tentou, sem sucesso, redigir uma proposta que reunisse o apoio tanto de republicanos moderados, como dos mais conservadores, o chamado Tea Party. No entanto, Boehner finalmente jogou a toalha ontem após entender que era incapaz de formalizar uma proposta de consenso em sua bancada e cedeu a liderança ao Senado, de maioria democrata. O presidente da Câmara reconheceu hoje a derrota republicana e anunciou sua intenção de não bloquear a votação da proposta do Senado. "Não há motivo para votar 'não'", disse Boehner em entrevista para uma rádio na tarde de hoje, na qual reconheceu que, "simplesmente, não ganhamos" a batalha. Finalmente, a proposta foi ratificada durante a noite na Câmara dos Representantes por 285 votos a favor e 144 contra, com a oposição dos membros do Tea Party, que consideram que a medida contribui para aumentar a elevada dívida do país. O debate evidenciou as tensões internas, especialmente no partido republicano, que foi o principal culpado pelos cidadãos americanos pela crise, segundo a maioria das pesquisas. O senador pelo Arizona e ex-candidato presidencial republicano John McCain qualificou o ocorrido nestas duas semanas como um dos "capítulos mais vergonhosos durante os anos que passei no Congresso" e classificou os debates como "uma odisseia agonizante". Além disso, o presidente americano, Barack Obama, ofereceu uma breve declaração na Casa Branca pouco depois da votação do Senado, na qual pediu que os legisladores "abandonem o hábito de governar de crise em crise" e antecipou que assinaria "imediatamente" a medida assim que esta chegasse a sua mesa. "Com sorte, a próxima vez, não será no último minuto", acrescentou o líder, em seu pedido aos legisladores dos dois partidos para que trabalhem em conjunto para encontrar soluções duradouras. Como resultado das divergências políticas, cerca de 800 mil funcionários federais ficaram impossibilitados de trabalhar e sem receber salário durante mais de duas semanas, enquanto vários serviços e órgãos de competência do governo federal tiveram que suspender suas atividades pela falta de recursos. Por outro lado, o secretário do Tesouro, Jack Lew, comemorou a aprovação por parte do Congresso da proposta para elevar o teto da dívida, pois isso significa "o fim da incerteza que pairava" sobre a economia do país. O Departamento do Tesouro tinha advertido nos últimos dias sobre as consequências "catastróficas", caso os EUA fossem obrigados a declarar moratória pela primeira vez em sua história. EFE afs/rpr (foto)

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.