EUA avaliam rever apoio aos britânicos nas Malvinas; entenda a crise
Documento interno liga disputa territorial a tensões militares no Oriente Médio e expõe fissuras na Otan
Internacional|Do R7
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A possibilidade de os Estados Unidos reverem seu apoio ao Reino Unido na disputa pelas Ilhas Malvinas abriu uma nova crise diplomática envolvendo Washington, Londres e Buenos Aires. A informação surgiu a partir de um documento interno do Pentágono, que aponta medidas em estudo contra aliados que não apoiaram a ofensiva americana na guerra contra o Irã.
Segundo o material divulgado pela Reuters, a administração de Donald Trump avalia revisar o respaldo diplomático americano a reivindicações europeias sobre antigas “posses imperiais”. Entre os casos mencionados estão as Ilhas Malvinas, administradas pelo Reino Unido e reivindicadas pela Argentina.
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Retaliação por falta de apoio ao conflito no Irã
A medida aparece como possível retaliação à postura de países da Otan que se recusaram a acompanhar as operações militares dos Estados Unidos no Oriente Médio. O Reino Unido, sob o comando de Keir Starmer, afirmou repetidas vezes que não pretende ser arrastado para a guerra contra o Irã.
Londres também restringiu o uso de bases britânicas por aeronaves americanas a missões consideradas defensivas. A decisão irritou Trump, que passou a criticar publicamente Starmer e a cobrar maior alinhamento de um dos principais aliados históricos dos Estados Unidos.
Reino Unido reage e reafirma soberania
A resposta britânica foi imediata. Um porta-voz de Starmer afirmou que a soberania do Reino Unido sobre as Malvinas “não está em questão” e classificou a posição britânica como clara, consistente e inalterada.
O governo britânico também voltou a defender o direito de autodeterminação dos moradores das ilhas. Londres citou o referendo de 2013, no qual 98% dos votantes decidiram permanecer como território ultramarino britânico.
Para o Reino Unido, esse resultado reforça a legitimidade de sua presença no arquipélago. Para a Argentina, porém, a consulta não tem validade, já que Buenos Aires considera as ilhas parte de seu território nacional.
Milei vê avanços na reclamação argentina
Na Argentina, o episódio ganhou relevância política imediata. O presidente Javier Milei afirmou que seu governo está fazendo avanços “como nunca” na reivindicação pela soberania das Malvinas, embora tenha reconhecido que o resultado “não depende só” da Argentina.
Em entrevista recente, Milei declarou que está fazendo “tudo humanamente possível” para que o território volte ao controle argentino. Segundo ele, a questão da soberania não é negociável, mas deve ser conduzida com estratégia e inteligência.
Conflito de 1982 segue como pano de fundo
A disputa pelas Malvinas permanece marcada pela guerra de 1982, quando Argentina e Reino Unido entraram em conflito pelo controle do arquipélago. A guerra durou cerca de dez semanas e deixou aproximadamente 650 militares argentinos e 255 britânicos mortos.
Desde então, não houve novo confronto armado, mas a soberania das ilhas continua sendo uma questão central para a política externa argentina e um tema de alta sensibilidade para o Reino Unido.
Aliança sob pressão
A crise expõe um momento de forte desgaste entre Trump e Starmer. A relação entre Estados Unidos e Reino Unido, tradicionalmente descrita como uma das alianças mais próximas do mundo, passa por tensão em razão das divergências sobre o conflito no Irã.
Embora a revisão do apoio americano às Malvinas ainda apareça apenas como hipótese em uma discussão interna, o episódio já provocou reações diplomáticas e políticas relevantes. O caso mostra como uma disputa territorial histórica pode voltar ao centro do debate internacional quando combinada a pressões militares, rivalidades estratégicas e crises dentro da própria Otan.
Espanha também entra na mira
O documento interno também menciona a possibilidade de suspender a Espanha da Otan, em razão da recusa do governo de Pedro Sánchez em permitir o uso de bases ou do espaço aéreo espanhol em ataques contra o Irã.
Sánchez minimizou a revelação. Segundo ele, a Espanha não trabalha com base em e-mails, mas em documentos oficiais e posicionamentos formais do governo americano. O premiê espanhol afirmou ainda que seu país é um “sócio leal” da Otan, mas que sua atuação ocorre sempre dentro da legalidade internacional.
Uma autoridade da aliança militar também observou que o tratado fundador da Otan não prevê suspensão ou expulsão de membros, o que reduziria a viabilidade prática de uma medida desse tipo.
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