EUA congela parte da ajuda militar e assistência econômica ao Egito
Internacional|Do R7
Washington, 9 out (EFE).- O governo dos EUA disse nesta quarta-feira que decidiu congelar parte da ajuda militar e econômica ao Egito, após "recalibrar" a assistência americana, o que representa uma inversão drástica na política para esse país. Após uma revisão ordenada pelo presidente, Barack Obama, por causa da queda do presidente egípcio Mohammed Mursi, os EUA suspenderão a entrega de "certos sistemas militares a grande escala e assistência econômica ao governo, à espera de um progresso crível" rumo a eleições "livres e justas", disse em comunicado a porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki. Psaki não informou o montante cortado, mas esse valor poderia chegar a centenas de milhões de dólares, principalmente em ajuda militar, dentro do volume global da ajuda americana que é de US$ 1,5 bilhões. Fontes próximas à Administração Obama revelaram à imprensa que o governo prevê suspender uma transferência de US$ 260 milhões à vista e outros US$ 300 milhões em garantias de empréstimo. Também será suspensa a entrega de helicópteros Apache e caças F-16, além de mísseis Harpoon anti-navios e peças de tanques. "Os Estados Unidos continuam apoiando uma transição democrática e se opõem à violência como meio para resolver as diferenças dentro do Egito. Continuaremos revisando periodicamente as decisões sobre nossa assistência, e continuaremos trabalhando com o governo interino" para completar as metas compartilhadas "em um ambiente livre de violência e intimidação", acrescentou Psaki. Segundo a porta-voz, os Estados Unidos "querem que o Egito tenha sucesso, e achamos que a aliança entre Estados Unidos e Egito será mais forte quando o Egito for representado por um governo civil eleito democraticamente, baseado na lei, nas liberdades fundamentais e em uma economia aberta e competitiva". A porta-voz do Departamento de Estado disse que apesar disso o governo americano continuará sua assistência para a segurança fronteiriça do Egito, operações antiterroristas, e a segurança na Península do Sinai, além de ajudas "em áreas como saúde, educação e desenvolvimento do setor privado". Também manterá sem mudanças a provisão de substituições para equipes militares americanas, assim como a ajuda para a educação e capacitação militar, disse Psaki. O secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, falou hoje com o chefe do Exército do Egito, Abdel Fatah al Sisi, para discutir a decisão de Washington, disseram fontes da Administração. Segundo o senador democrata de Vermont, Patrick Leahy, com a decisão de hoje a Administração Obama envia uma "mensagem confusa", porque "suspende parte da ajuda, mas mantém outra". Em agosto, Obama ordenou uma revisão da ajuda dos Estados Unidos ao Egito, e o anúncio de hoje representa uma inversão drástica de Washington na relação com o Egito, aliado-chave nessa região. No entanto, depois da suspensão de parte da ajuda, o governo de Washington segue sem declarar que a cassação de Mursi em 3 de julho foi um golpe de Estado. Mursi, detido em um lugar secreto desde então, deverá comparecer ao tribunal no dia 4 de novembro para responder as acusações de incitação da violência e de homicídio. As acusações estão relacionadas à morte de pelo menos sete pessoas durante confrontos entre grupos da oposição e partidários da Irmandade Muçulmana no fim do ano passado. EFE mp/cd












