Logo R7.com
RecordPlus

EUA destacam apoio obtido de seu "mais velho aliado": os franceses

Internacional|Do R7

  • Google News

Washington, 30 ago (EFE).- Diferentemente de 2003, quando a relação entre Estados Unidos e França não atravessava um bom momento devido a intervenção militar no Iraque, o governo francês assume nesta sexta-feira a condição de principal aliado dos americanos, enquanto os britânicos se distanciam de tal condição após não terem apoiado um eventual ataque à Síria. Nesta sexta-feira, durante a apresentação das evidências contra o regime do presidente Bashar al Assad, um comentário do secretário de Estado americano, John Kerry, deve ter incomodado Downing Street, a residência do primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron. Kerry, na ocasião, se referiu à França como "o mais velho aliado" dos EUA, uma qualificação que, até então, caberia melhor aos britânicos. No entanto, para justificar esse novo rótulo da França, é preciso voltar ao século XVIII, ao nascimento da nação americana e à guerra de independência da mesma frente à Coroa Britânica, quando certamente a França, assim como a Espanha, era um dos principais aliados dos EUA. A renúncia do governo de David Cameron a uma possível intervenção internacional na Síria, devido ao "não" do Parlamento na última quinta-feira, deixou claro que o governo francês de François Hollande é o único grande respaldo do líder americano, Barack Obama. O Reino Unido, pela primeira vez em décadas, ficou à margem de uma possível ação militar americana, desta vez em resposta ao uso de armas químicas por parte do regime sírio de Bashar al Assad, e não acompanhará seu aliado estratégico. Desde a Segunda Guerra Mundial, britânicos e americanos estiveram juntos em todos os conflitos internacionais, enquanto a relação com a França sempre foi marcada por altos e baixos. Durante a Guerra do Iraque, iniciada em 2003 pelo presidente George W. Bush, a qual não continha total consentimento de Paris, mas sim o do Reino Unido, o governo americano parecia menosprezar as autoridades francesas pela oposição ao ataque contra o regime de Saddam Hussein. As batatas fritas ou "french fries", por exemplo, passaram a se chamar "freedom fries" (batatas da liberdade) e se multiplicavam as brincadeiras em torno dos hábitos dos franceses. Mas, agora, os tempos são outros, e essa crise parece ter ficado distante diante da possibilidade de americanos e franceses atuarem em conjunto nessa "contundente" resposta ao regime de Assad, acusado de atacar sua própria população com armas químicas. Mesmo diante deste novo contexto, Obama manteve o mesmo número de encontro com Cameron e Hollande, o último deles hoje. O conteúdo e as demonstrações de cumplicidade de ambos os líderes europeus não foram divulgadas, mas, por enquanto, a Casa Branca se refere a ambos os países como "próximos aliados e amigos". No entanto, a nota de imprensa que a Casa Branca emitiu sobre a conversa do primeiro-ministro do Reino Unido a administração Obama deixou claro que, com os britânicos, essa é "relação especial". A nova aliança militar com a França, que se fortaleceu nos recentes conflitos no Mali e Líbia, demonstra que a história dá muitas voltas e que pode existir divergência mesmo entre os aliados. Desde que o Marquês de Lafayette abandonou seu castelo francês para se colocar às ordens de George Washington na Revolução Americana, as relações com a França passaram por altos e baixos, mas hoje o chefe da diplomacia americana voltou a colocar as coisas em seu devido lugar e qualificar os franceses como "os mais velhos aliados" da primeira potência mundial. EFE jmr/fk

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.