EUA não põem prazo para solução diplomática na Síria, mas rejeitarão demora
Internacional|Do R7
Miriam Burgués. Washington, 11 set (EFE).- Os Estados Unidos se negaram a estabelecer um prazo para uma solução diplomática para a Síria, mas esclareceram que não aceitarão demora e que seria "irresponsável" não explorar a proposta russa que prevê a destruição do arsenal químico de Damasco por organismos internacionais, mas sem tirar a possibilidade de um ataque da mesa. "Não há dúvida que a ameaça crível do uso da força produziu esta mudança de dinâmica", argumentou o porta-voz da Casa Branca , Jay Carney, em sua entrevista coletiva diária. E por essa ameaça "seguir na mesa que vimos uma estratégia construtiva dos russos", disse Carney em referência à proposta de Moscou de que o regime sírio ceda o controle de seu arsenal químico à comunidade internacional, e que foi aceita pelo governo do presidente Bashar al Assad. Dias após de anunciar sua intenção de responder com uma ação militar "limitada" ao suposto ataque com armas químicas pelo regime sírio no último dia 21, o presidente dos EUA, Barack Obama, se mostrou disposto a dar mais tempo à diplomacia. Em discurso televisionado ontem à nação, Obama pediu ao Congresso que adie a votação que autorizaria o ataque contra a Síria para que possa avaliar a proposta russa. Segundo uma pesquisa da emissora "CNN" e a firma "ORC" divulgada hoje, 61% dos americanos apoiam a nova posição sobre a Síria apresentada por Obama, enquanto 37% a rejeita. A pesquisa também mostra que 60% dos entrevistados afirmam que não faz parte do interesse americano se imbricar no sangrento conflito sírio, enquanto 39% pensam o contrário. A Rússia "pôs seu prestígio em jogo" com a proposta para destruir o arsenal químico de Damasco, cuja realização "tomará algum tempo", apontou hoje o porta-voz de Obama. "Não estamos interessados em táticas dilatórias", advertiu Carney, para quem é importante que Assad "preste contas" pelo ataque com armas químicas atribuído pelos EUA ao regime sírio. Segundo Carney, é "certamente muito cedo para dizer" se a diplomacia funcionará desta vez, mas "seria irresponsável não explorar a potencial solução colocada pela Rússia". "Não tínhamos visto até esta semana essa vontade nos russos", revelou Carney, que qualificou de "construtiva" a conversa sobre a Síria que Obama e Vladimir Putin tiveram paralelamente à realização da cúpula do G20 na semana passada em São Petersburgo. A reunião em Genebra que acontece amanhã e sexta-feira entre o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, terá o apoio de equipes de analistas que estudarão como implementar o plano russo. O chefe da diplomacia americana planeja se reunir também com o mediador internacional para a Síria, Lakhdar Brahimi, mas não está previsto um encontro com essas três partes, detalhou o porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki. A Rússia anunciou hoje já ter entregado aos Estados Unidos seu plano para identificar e destruir o arsenal químico da Síria, que Psaki disse se tratar mais de "ideias" esquemáticas. O objetivo de Kerry com Lavrov é discutir como se implementariam essas ideias, incluindo a dificuldade de fazê-lo no meio de uma guerra civil, e "como garantir a segurança" dos envolvidos na missão. No Congresso americano há entre os principais líderes uma mistura de ceticismo e esperança diante da proposta russa e das perspectivas que a opção diplomática triunfe. O senador republicano John McCain, candidato à presidência em 2008, qualificou o plano russo de tática retardatória e denunciou que os rebeldes sírios sentem que os Estados Unidos estão os abandonando. "Não há nada melhor para deixar os sírios nas mãos dos extremistas do que sentirem que foram abandonados pelo Ocidente e tenho certeza que têm essa impressão hoje", criticou McCain em entrevista à emissora "MSNBC". Já o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, disse que agora "todos os olhos estão focados" no presidente russo, Vladimir Putin, e em sua iniciativa para que o arsenal químico sírio fique sob controle internacional.EFE mb/cd (foto)













