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Evo Morales reconhece que nas prisões bolivianas se vive "sem lei nem Deus"

Internacional|Do R7

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La Paz, 2 set (EFE).- O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse nesta segunda-feira que a Justiça boliviana é responsável pelos problemas nas prisões do país, onde se vive "sem lei nem Deus" e há uma ausência do Estado. Morales fez essa dura declaração durante a inauguração de um encontro em Santa Cruz que buscar discutir a reestruturação do regime penitenciário do país. Há dez dias, 33 pessoas, inclusive um brasileiro, morreram na penitenciária de Santa Cruz durante uma briga entre facções rivais de detentos. "De todos os detidos, quantos têm sentença? Vários são os chamados presos preventivos. Então, onde está o problema de recursos? Se 84% dos detidos nem tem sentença, se demonstra aí a lentidão da justiça", considerou Morales. Além dos problemas de aglomeração e infraestrutura, o presidente afirmou que "o eixo está na Justiça boliviana" e que, se não houver uma solução para esta questão, não adiantará nada construir penitenciárias maiores. Quando perguntou a seus ministros e a outras autoridades sobre as mortes na prisão de Santa Cruz de Palmasola e sobre conflitos em outras prisões, eles disseram que são lugares "sem Deus nem lei". "Então me pergunto onde está o Estado, não há presença do Estado no interior das prisões, e por que são sem lei nem Deus, me disseram que manda quem tem dinheiro e armas", lamentou. Após o conflito na prisão de Palmasola, que também deixou mais de cem feridos, as autoridades bolivianas reconheceram que, em muitos casos, os réus mandam nas penitenciárias porque o sistema carcerário não é capaz de ter controle suficiente. A maioria das prisões funciona em regime aberto, sem celas propriamente ditas, mas com casas que muitas vezes são construídas pelos próprios réus e alugadas ou vendidas a outros presos, o que motiva desigualdades entre os internos. Morales também criticou essa rotina, porque os detentos continuariam cometendo crimes de dentro da prisão, e disse considerar medidas como a instalação de câmeras de vigilância e inibidores de sinais telefônicos. O presidente também levantou o debate de temas como o indulto e a definição de padrões para construir prisões. No primeiro semestre, entre fevereiro e julho, 12 torcedores corintianos ficaram seis meses presos na Bolívia, acusados da morte do garoto Kevin Espada, atingido por um sinalizador marítimo durante jogo entre Corinthians e San José pela primeira fase da Taça Libertadores. EFE gb/cd/rsd

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