Ex-dirigentes de partido governista espanhol dizem não controlar doações
Internacional|Do R7
Madri, 13 ago (EFE).- Os ex-secretários gerais do Partido Popular espanhol (PP), Javier Arenas e Francisco Álvarez-Cascos, negaram nesta terça-feira perante um juiz conhecer a existência de um caixa dois e alegaram não ter controle das doações ao partido por considerarem ser da competência do tesoureiro. Arenas e Álvarez-Cascos foram testemunhas diante do juiz da Audiência Nacional espanhola, Pablo Ruz, que investiga o caso do ex-tesoureiro do PP, Luis Bárcenas, homem que amealhou fortuna depositada em paraísos fiscais e nos Estados Unidos. Amanhã depõe a atual secretária-geral do partido governista, María Dolores de Cospedal. Luis Bárcenas é investigado por diversos delitos fiscais, lavagem e suborno, e está preso desde o final de junho pelo risco de fuga. Suas contas conhecidas ultrapassam os 48 milhões de euros. O juiz responsável pelo caso bloqueou várias contas de Bárcenas na Suíça e hoje outra no HSBC de Nova York. Segundo fontes judiciais, os dois ex-secretários gerais do PP ofereceram ao juiz apresentar as declarações da renda, na qual aparecem complementos de renda do partido. Ambos disseram não ter controle da doação de empresários para não violar a Lei de Financiamento de Partidos e a Lei de Regime Eleitoral, porque entendiam que essa era trabalho do tesoureiro. Álvarez-Cascos, que entre 1990 e 1993 compatibilizou seu cargo como secretário-geral com o de tesoureiro, foi perguntado sobre supostos salários extras que teria recebido enquanto era ministro, o que violaria a Lei de Incompatibilidades, mas o juiz permitiu que se calasse para evitar a autoincriminação. O único que admitiu ter recebido "dinheiro sujo" do PP foi Cristóbal Páez, que substituiu Bárcenas na gerência e admitiu ter recebido dois pagamentos que somavam 12 mil euros em 2007 e 2008 e que também cobrava por fora os trabalhos de assessoria que fez para o partido de 1986 até 1996. Ao sair do tribunal, Arenas comentou sorridente aos jornalistas que estava "tranquilo", que sua declaração foi "muito boa" e que contestou todas as perguntas feitas. O secretário-geral dos socialistas (PSOE), Alfredo Pérez Rubalcaba, disse que a cada dia se conhecem "novas mentiras" do presidente do governo, Mariano Rajoy, e que sobre o caso Bárcenas os socialistas não estão dispostos a permitir "que fiquem impunes". Após insistir na necessidade de criar uma comissão de investigação sobre o caso, Pérez Rubalcaba proclamou: "Deixemos a Justiça trabalhar e que se saiba no Parlamento a verdade sobre mais de 20 anos de financiamento irregular". EFE nac/cd/rsd











