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Ex-primeiro-ministro português preso se recusa a usar pulseira eletrônica

Internacional|Do R7

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(Atualiza com os argumentos do ex-primeiro-ministro). Lisboa, 8 jun (EFE).- O ex-primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, em prisão preventiva desde novembro do ano passado, se recusou nesta segunda-feira a passar para prisão domiciliar com uma pulseira eletrônica, como tinha proposto a procuradoria lusa. O juiz encarregado da denominada "Operação Marquês", Carlos Alexandre, tem até amanhã para decidir se modifica as medidas de restrição aplicadas a Sócrates, acusado de fraude fiscal, lavagem de capitais e corrupção. A pulseira eletrônica é a única medida de restrição que pode ser decidida pelo acusado, já que é necessário seu consentimento e o das pessoas que vivam na mesma casa para poder aplicá-la. Sócrates rejeitou esta medida em carta divulgada hoje pela imprensa portuguesa, na qual denuncia a "enorme e cruel injustiça" que se comete contra ele. Na carta, o ex-primeiro-ministro lembra que já cumpriu na prisão "seis meses sem acusação" e "seis meses de uma furiosa campanha midiática" de difamação "permitida, se não dirigida, pelo Ministério Público". "Agora o Ministério Público propõe prisão domiciliar com vigilância eletrônica, que continua sendo prisão, só que precisa do meu consentimento", algo que "nunca" poderia dar, acrescenta no texto. "Nas situações mais difíceis sempre há uma escolha. A minha é esta: digo não", conclui. Por Sócrates ter rejeitado esta medida, o juiz Alexandre tem duas opções: manter o antigo chefe do governo em prisão preventiva ou enviá-lo para casa sob prisão domiciliar e sem pulseira eletrônica. Esta última opção não costuma ser muito utilizada, já que o acusado fica sob vigilância "comunitária" - ou seja, confiando que os vizinhos exerçam uma função de controle -, o que se considera pouco eficaz. O advogado do ex-primeiro-ministro socialista, João Araújo, mostrou no sábado passado seu desacordo com a proposta da procuradoria, por considerar que não se deveria aplicar nenhuma medida de restrição a seu cliente. Sócrates foi detido no aeroporto de Lisboa no último dia 21 de novembro, após desembarcar de um voo procedente de Paris, e ingressou na prisão quatro dias depois. Embora a Justiça não tenha divulgado detalhes, a imprensa aponta que Sócrates contava com uma fortuna superior a 20 milhões de euros, dinheiro que guardava supostamente em contas bancárias em nome de um testa-de-ferro e que recebia de várias empresas devido a sua intermediação para facilitar negócios no exterior. O ex-chefe do governo português é o único dos sete envolvidos no caso que continua na prisão, depois que seu suposto testa-de-ferro e amigo de infância, Carlos Santos Silva, passou para a prisão domiciliar no final de maio, embora com uma pulseira eletrônica. EFE pfm/rsd

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