Executivo e judiciário turco continuam a se atacar por denúncias de corrupção
Internacional|Do R7
Istambul, 7 jan (EFE).- A partida de xadrez que o governo e a judiciário da Turquia jogam há semanas teve hoje um novo movimento depois da determinação do governo de transferir centenas de policiais, no que pareceu uma tentativa de bloquear as investigações de corrupção. Em uma "operação da meia-noite", como rotulou o jornal "Cumhuriyet", o Ministério do Interior destituiu 350 agentes de suas funções em Ancara e os substituiu por novos agentes, a maioria vindos de outras cidades. Horas mais tarde, em uma "operação de madrugada", aconteceu outro movimento na promotoria de Esmirna, terceira cidade da Turquia, com a prisão de 25 pessoas, um novo golpe contra supostas redes de suborno e manipulação de licitações. Entre os detidos estão oito altos cargos da empresa pública de ferrovias, confirmou a companhia. Ao meio-dia, os três comissários de Esmirna responsáveis por essa operação foram destituídos, informou a emissora "CNNTürk". O enfrentamento entre o executivo e o judiciário, que conta com as forças policiais como braço executor das investigações, fico óbvio desde que a promotoria de Istambul lançou no último dia 17 uma operação anticorrupção de grande alcance. Os filhos dos ministros de Interior e Economia foram presos, e o do de Urbanismo ficou em liberdade com acusações. Nos dias seguintes, os ministros afetados, mais o de Relações com a UE, renunciaram, e outros seis foram substituídos, enquanto muitos comandantes policiais envolvidos na operação foram transferidos ou suspensos de suas funções frequentes. Até agora 1.700 agentes foram substituídos, entre eles 200 altos comandantes. "Todas estas mudanças afetam as unidades de polícia que investigam casos de corrupção; especificamente para prevenir operações anticorrupção", disse hoje à agência Efe o deputado do partido da oposição CHP e ex-membro do Comitê Anticorrupção do Parlamento Aykut Erdogdu. Um chefe de polícia aposentado, que preferiu não se identificar, confirmou a Agência Efe que as mudanças afetaram o trabalho policial. "Transferir e substituir tantos agentes em um só dia é algo inimaginável; estas pessoas nemao menos sabem porque foram transferidos de funções; não são acusados de nenhuma falta concreta", acrescentou. Segundo ele, embora não se fale disso abertamente, "todo mundo sabe que o governo transfere os agentes que acredita estarem conectados com a 'Cemaat'", a rede de seguidores do pensador islâmico Fethullah Gülen, autoexilado nos Estados Unidos, antigo aliado do governo e agora abertamente oposição a ele. "Antes de dar um passo qualquer delegado pensará dez vezes: já não atuará movido por seus princípios e pela ética de trabalho, sem antes buscar uma autoridade que dê sinal verde. Isto paralisará em breve toda a instituição policial", concluiu o agente aposentado. De fato, uma circular de Interior emitida dias depois da primeira operação anticorrupção exigia que os superiores fossem informados antes de qualquer prisão ordenada pela promotoria, medida depois declarada inconstitucional pelo Danistay, máxima autoridade do judiciário turco. O primeiro-ministro, o islamita Recep Tayyip Erdogan, negou no domingo que o governo manejasse uma lista de duas mil pessoas "vinculadas a uma organização", como tinha garantido um deputado de seu partido dias antes. Mas já em dezembro prometeu "erradicar os grupos que operam sob a fachada da religião para estabelecer um estado paralelo", em óbvia referência à rede de Gülen, quem, por sua vez, negou qualquer relação com as investigações anticorrupção. EFE iut-dt/cd











