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Exército alemão terá rabino pela primeira vez em um século

Professora, no entanto, ressalta que há muito mais a ser feito no sentido de desconstruir o discurso de intolerância

Internacional|Eugenio Goussinsky, do R7

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Exército alemão já conta com 300 militares judeus
Exército alemão já conta com 300 militares judeus

Após um século em que, durante vários momentos prevaleceram a segregação e intolerância na Alemanha, o exército alemão voltou a ter um rabino em suas fileiras, em um momento no qual o antissemitismo e discursos de ódio voltam a ameaçar o país.

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O anúncio foi feito na quarta-feira (11) pela ministra da Defesa alemã, Annegret Kramp-Karrenbauer, no Twitter.

"Hoje, na reunião do gabinete, enviamos um sinal importante aos nossos soldados judeus", escreveu ela.


"Após cerca de 100 anos, instalaremos novamente um rabino militar judeu no Bundeswehr (Forças Armadas unificadas da Alemanha). Um compromisso claro - a vida judaica é evidente em nosso país", ela completou.

Para a professora de Relações Internacionais da UniSantos, Natália Fingermann, essa iniciativa mostra o interesse do governo alemão em enfrentar o crescimento do antissemitismo nos últimos anos na Europa.


"Esse ato tem uma importância. O antissemitismo agora está novamente forte na Europa, não só na Alemanha e Áustria, mas em outros países como a França e o Reino Unido. Vejo um impacto positivo para a defesa da democracia", afirma.

A professora, no entanto, ressalta que há muito mais a ser feito no sentido de desconstruir o discurso de intolerância.


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"É algo pontual que ajuda a mostrar uma resistência mais forte do que nos anos 30 ou 40, mas não é suficiente. Não são apenas as ações afirmativas que resolverão este problema. É necessária a aplicação de medidas punitivas, que não permitam este recrudescimento da intolerância. É fundamental que esses movimentos neonazistas sejam retirados do jogo político", destaca.

Fingermann aponta que tais movimentos se escoram de forma hipócrita no argumento de que a liberdade de expressão faz parte da democracia. Eles só não vão além e deixam de lado a premissa básica de que o discurso de ódio fere a própria democracia.

"Há, muitas vezes, uma confusão entre liberdade de expressão e desrespeito à diversidade. Esse argumento falso de que se trata de livre manifestação deixa espalhar esse discurso de ódio não só antissemita como homofóbico e racista, entre outros, que infringem o direito da existência do outro", ressalta.

O jornal alemão DW (Deutsche Welle), informou que atualmente existem cerca de 300 soldados judeus servindo o exército alemão.

Segundo o The Jerusalem Post, no início deste ano, o médico Josef Schuster, presidente do Conselho Central de Judeus na Alemanha, solicitou às autoridades alemãs que deem suporte para que os membros judeus, cristãos e muçulmanos do exército, realizem os seus serviços religiosos.

No último dia 6, a chanceler alemã, Angela Merkel, visitou pela primeira vez, em 14 anos como chefe de governo, o campo nazista de extermínio de Auschwitz, perto da cidade de Oswiecim, na Polônia.

A iniciativa, que foi a primeira visita de um chanceler da Alemanha ao campo desde 1995, teve o intuito de combater o avanço da extrema-direita no país.

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