Exército egípcio ameaça atirar contra manifestantes violentos
Internacional|Do R7
Por Yasmine Saleh e Asma Alsharif
CAIRO, 25 Jul (Reuters) - O Exército do Egito ameaçou nesta quinta-feira balear quem usar a violência durante protestos, em um rigoroso aviso antes de um potencial confronto sangrento entre partidários e oponentes do presidente deposto Mohamed Mursi.
Um oficial do Exército disse que os militares impuseram um ultimato à Irmandade Muçulmana, de Mursi, para que aceite até sábado um plano de reconciliação política.
Os militares convocaram os egípcios para saírem às ruas na sexta-feira, no que pode marcar uma nova etapa no confronto das Forças Armadas contra os partidários de Mursi, um presidente eleito democraticamente e deposto em 3 de julho pelos generais.
A Irmandade Muçulmana, que mantém uma vigília há um mês com milhares de partidários exigindo a restituição de Mursi, também convocou seus seguidores em todo o país para um "dia de remover o golpe".
Os dois lados elevaram dramaticamente o tom da sua retórica antes das manifestações da sexta-feira. A Irmandade acusou o Exército de empurrar o país na direção de uma guerra civil.
Em uma postagem no Facebook, o Exército disse que não irá "voltar suas armas contra o seu povo, mas irá voltá-las contra a violência e o terrorismo, que não tem religião nem nação".
O comandante máximo do Exército, general Abdel Fattah al-Sisi, convocou os egípcios para saírem às ruas e lhe darem um "mandato" para agir contra a violência que convulsiona o Egito desde a derrubada de Mursi.
A Irmandade, que venceu sucessivas eleições desde a derrubada do regime de Hosni Mubarak, em 2011, acusou as autoridades de incitarem a violência para justificar a repressão.
Pela TV Al Jazeera, o influente clérigo egípcio Youssef al Qaradawi, radicado no Catar, lançou um édito religioso conclamando os soldados a desobedecerem as ordens para matar.
Enquanto isso, o principal grupo juvenil anti-Mursi, que apoia a intervenção do Exército, disse que sairá às ruas para "limpar o Egito".
O Ocidente está cada vez mais alarmado com a turbulência no estratégico Egito, mais populoso país árabe, e nesta quinta-feira o governo dos Estados Unidos pediu ao Exército egípcio que exerça "a máxima moderação e cautela".
(Reportagem adicional de Tom Perry, Maggie Fick, Noah Browning, Tom Finn, Shadia Nasralla, Asma Alsharif e Omar Fahmy)











