Explosão que matou 33 pessoas na sede da Pemex segue envolta em mistério
Acidente atingiu o coração da empresa mais importante do país, que gera 40% da receita do fisco e emprega cerca de 150 mil pessoas
Internacional|Do R7

As autoridades do México não descartaram nenhuma hipótese sobre a explosão na sede central da Petróleos Mexicanos (Pemex), que na quinta-feira causou pelo menos 33 mortes e deixou 121 feridos, e não excluem nem mesmo a possibilidade de um atentado. Foi o que afirmou nesta sexta-feira o procurador-geral do México, Jesús Murillo Karam.
— O governo está determinado a encontrar a verdade dos fatos, seja qual for. Se foi um acidente, se foi uma imprudência, se foi um atentado... Seja o que for.
A explosão atingiu o coração da empresa mais importante do país, que gera 40% da receita do fisco e emprega cerca de 150 mil pessoas. Enquanto seguem os trabalhos no complexo corporativo da Pemex, no bairro de Anzures, na Cidade do México, os peritos começaram hoje os trabalhos para resgatar provas que indiquem o que causou a forte explosão que destruiu parcialmente um dos edifícios.
Nos trabalhos participam analistas nacionais e estrangeiros, civis e militares, que realizam suas atividades enquanto equipes de resgate tentam chegar aos locais mais isolados, que tiveram que ser escorados para reforçar sua estrutura.
O diretor-geral da Pemex, Emilio Lozoya, declarou hoje que tudo indica que a explosão foi provocada por um acidente de natureza ainda desconhecida, mas também disse que "todas as linhas de investigação estão abertas". Murillo Karam, no entanto, foi mais cauteloso ainda, pediu tempo para tirar conclusões da perícia e ofereceu transparência para "não deixar nada no terreno da especulação".
"Estamos trabalhando sobre todas as possibilidades, não vamos desprezar nenhuma", insistiu Murillo na entrevista coletiva que ofereceu ao lado dos escombros do edifício que foi severamente danificado pela explosão.
O titular da Procuradoria Geral da República chamou a atenção para algo que também surpreendeu as autoridades sanitárias: não há rastros de fogo, não há feridos por queimaduras e até os papeis da área afetada apareceram sem danos.
— Fogo não há, mas isto não nos leva a dizer definitivamente que aconteceu por uma causa ou por outra.
A rede de televisão "Milenio" levantou a possibilidade que a tragédia tenha sido ocasionada por um velho depósito de gás usado para extinguir incêndios que estava em desuso há vários anos e que não tinha recebido a manutenção adequada.
Porém, Murillo respondeu que, a princípio, tal acúmulo de gás não existia, embora, na mesma linha de deixar abertas todas as possibilidades, também indicou que não podia aceitar nem rejeitar essa eventualidade.
— Não vamos desprezar nenhuma hipótese e vamos fazer o possível para que esta investigação ocorra de forma transparente.
O acidente, um dos mais graves na história da Pemex, criada em 1938 pouco depois da nacionalização dos recursos petroleiros, comoveu o país, que já sofre há vários anos uma onda de insegurança pelas ações do narcotráfico que a cada ano causa milhares de mortes.
Trata-se da tragédia mais grave enfrentada pelo presidente Enrique Peña Nieto, que assumiu o poder no último dia 1º de dezembro e que prometeu uma "transformação" no país que implica, entre outras coisas, uma reforma da Pemex.
Peña Nieto decretou hoje luto nacional durante três dias em reunião com empresários, pouco após visitar as vítimas da tragédia. Por sua vez, o Parlamento mexicano, que hoje começou seu período legislativo, abriu suas sessões com um minuto de silêncio em homenagem às vítimas.
Enquanto isso, no local do acidente, era resgatada a última vítima até agora, já que não se descarta que, enquanto continuarem os trabalhos no edifício destruído, possa haver outras.
— Não vamos parar de procurar.











