Familiares de desaparecidos no México exigem justiça no Dia das Mães
Internacional|Do R7
Cidade do México, 10 mai (EFE).- Centenas de mães de desaparecidos mexicanos protestaram nas ruas da capital do país neste domingo, data em que se comemora o Dia das Mães, exigindo justiça e o retorno de seus filhos. "Temos a necessidade de gritar para a sociedade e para os funcionários públicos que há uma cadeira vazia em nossos lares, um pedaço de nossos corações que não está conosco", disse à Agência Efe Diana Iris, integrante das Forças Unidas por Nossos Desaparecidos No México (Fundem), que organizou a manifestação. O filho de Diana, Daniel Cantu, desapareceu em 2007, com 23 anos, no estado de Coahuila, no norte de país. Formado em engenharia industrial, o jovem sumiu enquanto trabalhava. "Nunca mais soubemos dele. As autoridades foram omissas e indolentes, não produziram uma linha de investigação", afirmou a mãe do rapaz, que exigiu "o direito universal de saber a verdade". Explicações, justiça e verdade foram as exigências mais escutadas na manifestação, que pelo quarto ano consecutivo mostra uma realidade dura no México. Segundo dados oficiais, desapareceram mais de 22 mil pessoas no país nos últimos oito anos. Centenas de rostos, impressos em cartazes em preto e branco, acompanharam cerca de mil pessoas que estiveram no evento. As manifestantes também exigiram respostas e o retorno dos 43 estudantes que desapareceram na noite de 26 de setembro de 2014 no município de Iguala, no estado de Guerrero, no sul do país. "São quase oito meses procurando nossos filhos sem uma resposta das autoridades", disse Cristina Bautista, mãe de Benjamín Asencio, que, conforme versões oficiais, desapareceu após uma ação de autoridades corruptas e membros do cartel Guerreros Unidos. "Não são só os 43. São muitos milhares. Essa foi a gota d'água que mobilizou muitas mães", ressaltou Diana. As várias críticas exemplificam a desconfiança e o ceticismo dos familiares dos desaparecidos nas instituições públicas do México. No entanto, foi aprovada no final de abril uma reforma na Constituição para que o Congresso faça uma modificação na lei geral sobre desaparecimentos e tortura, uma decisão elogiada pela ONU. As mães, no entanto, tem uma opinião distinta: "Não acho que sirva muito. Há leis que são muito bonitas, mas não são colocadas em prática", disse Diana. A manifestação, que contou com a presença de várias entidades latino-americanas, terminou no icônico monumento do Anjo da Independência, onde Yolanda Morán, da Fundem, resumiu o sentimento geral das mães. "Quanto tempo deve passar antes que saibamos a sorte ou o paradeiro de nossos filhos e filhas? Quanto tempo demorará para termos a verdade, a justiça e para o povo mexicano acordar e se colocar entre nós, mães com os sentimentos despedaçados?", questionou. EFE mqb/lvl













