Farc admitem parte de responsabilidade no conflito armado colombiano
Internacional|Do R7
Havana, 20 ago (EFE).- A guerrilha das Farc reconheceu nesta terça-feira que tem parte de responsabilidade nas vítimas causadas pelo conflito armado colombiano e admitiu a necessidade de identificá-las e repará-las devidamente após "mais de 60 anos de sangramento social". "Sem dúvida houve uma crueldade e dor provocadas desde nossas fileiras. O inimigo nunca foi fácil e não se sujeitou às normas de combate", disse o líder guerrilheiro "Pablo Catatumbo", conhecido como Jorde Torres Victoria, em uma declaração lida perante a imprensa em Havana. A admissão de responsabilidade aconteceu no marco das conversas de paz que o Governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) realizam em Havana desde novembro e cuja última rodada, a 13ª, começou na segunda-feira. "Devemos reconhecer a necessidade de aproximar o tema das vítimas, sua identificação e sua reparação com total lealdade à causa de paz e à reconciliação", disse "Pablo Catatumbo". "Com efeito, e não é outra a realidade, somos uma das partes do conflito", acrescentou. Em julho, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, fez pela primeira vez na história do país um reconhecimento público de responsabilidade do Estado em delitos cometidos durante meio século de conflito armado. "O Estado colombiano foi responsável, em alguns casos por omissão, em outros casos por ação direta de alguns agentes do Estado, de graves violações aos direitos humanos e infrações ao Direito Internaiconal Humanitário (DIH) ocorridas ao longo destes 50 anos de conflito", disse então Santos. O número dois da guerrilha e teu líder negociador, Luciano Marín Arango, conhecido como "Ivan Márquez", já tinha afirmado no mês passado em entrevista à "RCN Rádio" que as Farc "sentem" o sofrimento das vítimas do conflito armado e que abordarão este ponto com "responsabilidade". Márquez também disse em março em Havana que as Farc estão dispostas a falar das vítimas do conflito colombiano, mas insisitiram que neste tema "o Estado tem uma responsabilidade por ação e por omissão" e "é o último ponto de acusação". As Farc também indicaram hoje que propuseram ao Governo colombiano a criação de uma comissão formada por analistas nacionais e estrangeiros que estude a origem do conflito armado interno. "Essa comissão deve ser integrada imediatamente", pediu "Pablo Catatumbo". O propósito dessa comissão seria o de investigar "a origem da atual disputa", assim como "o porquê do surgimento das guerrilhas e o desencadeamento desde então do conflito social armado interno", precisou o líder guerrilheiro. "A comissão proposta poderia aperfeiçoar os trabalhos adiantados até o momento esgotando a pesquisa, estudo e análise do acontecido. É assim como se consegue estabelecer a verdade e assinalar responsabilidades", acrescentou. Entre esses trabalhos, "Pablo Catatumbo" citou o recente relatório do Centro Nacional de Memória Histórica, divulgado em julho e que documenta entre os crimes cometidos durante o conflito armado, desde 1958 até 2012, um total de 220 mil assassinatos, 5.712.506 deslocamentos forçados, 25.007 desaparecidos e 27.023 sequestrados. "Catatumbo" lembrou que o acordo assinado pelo Governo e as Farc prévio ao início das conversas de paz estabelece "a obrigação de conhecer e averiguar a verdade do acontecido durante tantos anos de luta social armada". EFE mb/ff (foto)












