Farc afirmam que responsabilidade por vítimas chega até a presidência
"Márquez" reiterou que a guerrilha não vai "negociar impunidades"
Internacional|Do R7

O número dois e líder negociador das Farc, "Ivan Márquez", afirmou que a máxima responsabilidade pelas vítimas do conflito colombiano chega até a presidência, e culpou também uma lista de "poderosos" que inclui partidos políticos, imprensa, igreja e o governo dos Estados Unidos.
Em artigo divulgado neste sábado (19) no blog da delegação de paz das Farc, "Márquez" reiterou que a guerrilha não vai "negociar impunidades", mas ressaltou que as estatísticas das Nações Unidas "atribuem ao Estado e aos seus paramilitares a responsabilidade por mais de 80% das vítimas".
— Agora, ao falar de máximos responsáveis, devemos afirmar claramente, que a cadeia de comando não se esgota nos Estados Maiores do exército e da polícia, mas vai além e chega ao Palácio de Nariño.
Ele apontou que "o assunto não pode ser explicado pelas elites como o comportamento anômalo de laranjas podres, quando as ordens para a instituição armada partiram do livre arbítrio e da premeditação dos poderosos".
As declarações de "Márquez", alcunha de Luciano Marín Arango, foram feitas às vésperas da retomada das conversas entre o governo de Juan Manuel Santos e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), em 12 de agosto, para abrir o debate sobre o sensível tema das vítimas, quarto ponto da agenda do processo.
Governo da Colômbia e Farc criarão comissão da verdade
Em 16 de agosto um primeiro grupo de vítimas será recebido em Havana, sede permanente das negociações desde 2012. "O problema das vítimas do conflito é tão complexo que não pode ser discutido com argumentos levianos nem sofismas", lembrou "Márquez", que ressaltou a urgência de que a comissão histórica do conflito e das vítimas trabalhe para "esclarecer a questão das responsabilidades".
— Responsáveis são os partidos políticos, os ideólogos do paramilitarismo como estratégia contra-insurgente do Estado, os fazendeiros, o criadores de gado, os generais, alguns bananeiros e palmicultores, certos banqueiros, a narco-parapolítica, os comandantes das forças, todos os que projetaram os 'falsos positivos
Ele incluiu em sua lista a "a grande imprensa instigadora da guerra, altos cargos da igreja, os implementadores da política neoliberal, o governo dos Estados Unidos que interveio desde o princípio diretamente no conflito". "E também a insurgência, mas em outro plano, que não é o dos que geraram esta guerra", acrescentou "Márquez".
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Segundo dados do Centro de Memória Histórica da Colômbia, o conflito em seus 50 anos de duração deixou 220 mil mortos, 25 mil desaparecidos, 5,7 milhões de deslocados e 27 mil sequestrados, além disso de dois mil massacres.











