Fujimori diz que se sente "totalmente inocente e com a consciência limpa"
Internacional|Do R7
Lima, 7 nov (EFE).- O ex-presidente peruano Alberto Fujimori afirmou nesta quinta-feira que se sente "totalmente inocente e com a consciência tranquila" perante as acusações de ter cometido crimes contra a humanidade, pelos quais foi condenado a 25 anos de prisão em 2009. "Até agora não há uma só prova, um só testemunho", assegurou Fujimori à emissora "Radio Programas del Perú" (RPP) na primeira entrevista que oferece à imprensa desde que chegou ao Peru, extraditado do Chile em 2007. Fujimori se comunicou por telefone com a "RPP" de sua prisão em um quartel policial de Lima e respondeu aos jornalistas apesar de as autoridades terem lhe proibido de dar entrevistas. O ex-mandatário (1990-2000) cumpre uma condenação a 25 anos de prisão pelos delitos de homicídio qualificado, lesões graves e sequestro agravado de 25 pessoas pelos casos Barrios Altos (1991) e La Cantuta (1992). Além disso, também pelos sequestros do jornalista Gustavo Gorriti e do empresário Samuel Dyer, após o "autogolpe" de Estado que deu em abril de 1992. Durante a entrevista, Fujimori declarou que "de todas maneiras" tomará "alguma ação legal" perante as acusações de ter violado os direitos humanos, que qualificou de "tamanha injustiça". "Sinto muitíssimo e me dá tremendo pesar que (estes casos) tenham ocorrido em meu governo, mas eu não sou o responsável direto nem indireto", disse. Acrescentou que durante sua gestão "há alguns erros evidentemente que foram cometidos", mas também se atribuiu o êxito na luta contra o terrorismo e os sucessos econômicos do país. O ex-mandatário também afirmou que a decisão tomada no último mês de junho pelo presidente Ollanta Humala de negar o indulto humanitário solicitado por seus filhos foi "um golpe tremendo". "Pela forma como nega o indulto, com essa dose de animosidade, de satisfação, alguns dos meus filhos o sentiram como sadismo", declarou. Também disse que não descarta voltar à política ativa se eventualmente for beneficiado com a prisão domiciliar, um pedido que foi rejeitado na semana passada, em primeira instância, pela Justiça peruana. Ao referir-se ao atual processo que enfrenta pela compra da linha editorial de jornais sensacionalistas durante sua gestão, afirmou que sua defesa se baseia em seu "absoluta inocência". A Justiça peruana já condenou, em 2005, 29 pessoas por esse caso, entre eles o ex-assessor Vladimiro Montesinos, que foi sentenciado a oito anos de prisão, e os ex-generais Elesván Belo e José Villanueva pelos delitos de peculato e formação de quadrilha. A promotoria pediu oito anos de prisão e o pagamento de US$ 1 milhão por reparação civil para Fujimori pelo desvio de 122 milhões de sóis (US$ 43 milhões) do orçamento das Forças Armadas para o Serviço de Inteligência Nacional (SIN), gerido então por Montesinos. EFE dub/rsd










