Fuzileiros navais dos EUA usam jogo de videogame para treinar novos sargentos
Versão adaptada de ‘Call of Duty’ é usada em curso militar para desenvolver liderança, comunicação e tomada de decisões
Internacional|Do R7
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos passou a utilizar uma versão modificada do jogo “Call of Duty 4: Modern Warfare” como ferramenta de treinamento para novos sargentos. Segundo o site Stars and Stripes, especializado em notícias das Forças Armadas americanas, a iniciativa faz parte de um projeto desenvolvido por pesquisadores da Virginia Tech e da Universidade de Memphis, com financiamento do Escritório de Pesquisa Naval dos EUA.
O programa foi criado para alunos da Escola de Sargentos da Universidade do Corpo de Fuzileiros Navais, em Quantico, no estado da Virgínia. A adaptação do game começou a ser aplicada à primeira turma em janeiro deste ano.
Leia Mais
Lançado originalmente em 2007, “Call of Duty 4: Modern Warfare” marcou a mudança da franquia do cenário da Segunda Guerra Mundial para conflitos modernos. Apesar das transformações recentes nos campos de batalha, com o avanço de drones e inteligência artificial, os pesquisadores decidiram usar o título pela proximidade do ambiente do jogo com situações militares do mundo real.
Segundo o general de brigada Matthew Tracy, comandante do Comando de Educação do Corpo de Fuzileiros Navais e presidente da universidade militar, as competências treinadas no jogo podem ser aplicadas diretamente em situações reais.
Na versão customizada, os jogadores enfrentam mais de uma dúzia de cenários criados para desenvolver habilidades como liderança, pensamento crítico, comunicação e tomada de decisões em tempo real. Os exercícios são realizados em equipes de cinco militares, que precisam coordenar estratégias durante confrontos contra grupos numerosos de inimigos virtuais.
“As habilidades práticas se traduzem diretamente na tomada de boas decisões sob alta pressão”, disse o general de brigada Matthew Tracy, em comunicado publicado pela Universidade Virginia Tech.
A Escola de Sargentos tem como objetivo preparar militares recém-promovidos para assumir funções mais importantes de liderança. O currículo tradicional inclui doutrina militar, conceitos de guerra de manobra, estudos de caso e exercícios práticos.
De acordo com o tenente-comandante Mike Natali, gerente de programas do Escritório de Pesquisa Naval, o videogame permite que os estudantes transformem o conhecimento teórico em habilidades práticas por meio da repetição, da reflexão e do aperfeiçoamento das ações realizadas durante as missões.
“[No jogo], os alunos podem ver como seus pensamentos, decisões e interações com os colegas de equipe afetam o desempenho e o sucesso da missão em tempo real, em vez de apenas discussões teóricas”, disse o tenente-comandante Mike Natali.
Durante as partidas, os pesquisadores coletam dados das conversas por voz, das imagens da jogabilidade e das ações executadas pelos participantes, como movimentação, disparos, eliminações e mortes virtuais.
Antes de cada missão, os integrantes recebem um briefing e o líder da equipe define um plano de ação. Em seguida, os grupos enfrentam combates mais intensos do que os encontrados na campanha original do jogo. Em alguns momentos, os militares chegam a enfrentar até 20 inimigos simultaneamente.
O professor Louis Hickman, da Virginia Tech, responsável pelo projeto, afirmou que esse nível de intensidade obriga os participantes a coordenar posicionamento, cobertura e momentos de recarga de armas, simulando situações semelhantes às de operações reais.
“Para os militares, a análise pós-ação é considerada uma das partes mais importantes do treinamento”, disse Hickman. “Após passar por uma simulação de treinamento, o grupo se reúne, discute o que aconteceu, o que deveria ter acontecido, o que funcionou bem, o que não funcionou e o que fará de diferente da próxima vez.”
Após cada exercício, os militares participam de uma análise conhecida pelos fuzileiros como “hot wash”. O processo conta com o auxílio de um modelo de linguagem baseado em inteligência artificial, utilizado para discutir erros, acertos e possíveis melhorias para missões futuras.
Em uma próxima etapa do projeto, os pesquisadores pretendem alimentar o sistema de inteligência artificial com os dados coletados durante as partidas. O objetivo é aprimorar as avaliações pós-ação e ajudar os militares a identificar lições aprendidas de maneira mais eficiente.
A expectativa da universidade militar é expandir o uso do software para outra Escola de Sargentos localizada na base de Twentynine Palms, na Califórnia. Ao final do curso, as habilidades praticadas no ambiente virtual são testadas em exercícios de campo realizados ao longo de vários dias.
Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp












