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Gestão de duas grandes crises internacionais marca era Merkel

Internacional|Do R7

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Rodrigo Zuleta. Berlim, 19 set (EFE).- Os oito anos do governo de Angela Merkel, primeiro em coalizão com o Partido Social-Democrata (SPD) e depois com o Partido Democrático Liberal, foram marcados pela gestão de duas grandes crises internacionais, das quais a Alemanha saiu relativamente bem segura. A primeira estourou na quebra do banco de investimentos Lehman Brothers em setembro de 2008, que acabou por arrastar o setor financeiro mundial e afetou a economia real; a segunda foi a crise do euro, um duro desafio para a chanceler, que chegou a questionar o projeto de integração europeia. Nesse contexto, a obra do governo Merkel, centrada na consolidação fiscal, se afastou muito dos pontos-chave do programa que a fez chegar à Chancelaria em 2005. A União Democrata-Cristã (CDU), e sua ala bávara, a União Social-Cristã (CSU), se apresentaram naquelas eleições com uma proposta pela redução de impostos e a simplificação do sistema fiscal. Nada disso ocorreu nos últimos oito anos, em parte pela necessidade de combater as duas crises. Nos primeiros quatro anos, Merkel teve que se resignar a estabelecer uma aliança com o SPD e a fazer concessões, ao ponto de comentarem que ela era a primeira conservadora à frente de um governo social-democrata. Dos propósitos iniciais de governo, Merkel só alcançou um em sua primeira legislatura: melhorar as relações com os Estados Unidos, muito deterioradas após a oposição do governo de Gerhard Schröder à Guerra do Iraque. A chanceler se tornou uma espécie de administradora do imprevisto, embora tenha contado com a sorte de as reformas feitas na última legislatura de Schröder - contidas na chamada Agenda 2010 - terem começado a dar frutos ao mesmo tempo em que houve uma clara recuperação do mercado de trabalho. Em dezembro de 2005, quando Merkel chegou à Chancelaria, o índice de desemprego estava em 11,1%; em setembro de 2009, nas eleições seguintes, o desemprego tinha caído para 8%; e agora se situa em 6,8%. Provavelmente, esta é a mais notável evolução que não foi interrompida durante a crise econômica mundial. Isso se deveu em parte a algumas medidas - como a lei de jornada reduzida subvencionada - e em parte ao mercado de trabalho alemão ter conquistado alguma resistência diante dos riscos conjunturais, graças às reformas de Schröder, como a própria Merkel reconheceu em diversas ocasiões. Em 2009, os eleitores identificaram os sucessos do governo na luta contra a crise financeira com Merkel e seu partido e castigaram o SPD, apesar de o ministro das Finanças da grande coalizão ter sido simplesmente o atual rival de Merkel nas eleições, o social-democrata Peer Steinbrück. O triunfo para Merkel e seus aliados em 2009 foi claro. A CDU/CSU, que em 2005 tinha ficado quase empatada com o SPD, deixou os social-democratas dez pontos abaixo, e os liberais do Partido Democrático Liberal, com quase 15%, tiveram o melhor resultado de sua história. As promessas de reduções tributárias foram admitidas no acordo de coalizão, mas com a reserva de que não podiam afetar o curso de consolidação proposto pela CDU/CSU tanto para a Alemanha como para a Europa, o que significou na prática que sua aprovação foi adiada indefinidamente. Agora Merkel parte como favorita no novo pleito, com um mercado de trabalho estável, o desemprego em seu ponto mais baixo e em uma situação econômica saneada, sobretudo se comparada ao resto da Europa. Sua gestão diante da crise europeia, apesar da resistência dos países mais afetados, é vista na Alemanha como uma defesa dos interesses nacionais, e os membros da zona do euro reconhecem que ela pode impor na Europa sua receita de austeridade e reformas estruturais como caminho de volta ao sucesso. Diante desse cenário, parece que o povo alemão esqueceu que nos últimos quatro anos quatro de seus ministros foram forçados a deixar o cargo. EFE rz/cd/id

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