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Governo argentino revela supostas mensagens de Nisman e desmente promotora

Internacional|Do R7

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Buenos Aires, 28 jan (EFE).- O governo argentino revelou várias supostas mensagens pessoais de Alberto Nisman para tentar desmentir a promotora do caso, que contradisse nesta quarta-feira a versão da Casa Rosada ao assegurar que seu colega não interrompeu suas férias para denunciar Cristina Kirchner. A promotora do caso, Viviana Fein, derrubou hoje a versão oferecida por Cristina sobre uma suposta mudança de planos de última de hora de Nisman para apresentar sua denúncia de acobertamento de ato terrorista. Fein explicou que Nisman viajou de férias com uma de suas filhas à Europa e tinha passagem de volta para o último dia 12 de janeiro, dois dias antes de apresentar sua denúncia contra Cristina. Segundo a promotora, Nisman tinha retirado em 31 de dezembro a passagem de retorno à Argentina com data para 12 de janeiro, "por razões pessoais" retornou sozinho e não com sua filha, e pensou inclusive em voltar à Europa no dia 19, mas de novo suspendeu a viagem por motivos familiares. Apenas poucos minutos depois dessas declarações, a Casa Rosada, em sua conta oficial no Twitter, desmentiu a versão da promotora. "'Precisei suspender intempestivamente minha viagem'. Devemos acreditar em Nisman ou na promotora Fein?", questiona o tweet acompanhado das mensagens de Whatsapp supostamente enviadas por Nisman a um grupo de amigos próximos. Nesta mensagem, Nisman afirma: "Precisei suspender intempestivamente minha viagem de 15 dias à Europa com minha filha e voltar. Podem imaginar o que isso significa". "Às vezes na vida não é possível escolher os momentos. As coisas simplesmente acontecem, e isso acontece por alguma coisa. Isto que vou fazer agora aconteceria de qualquer forma. Já estava decidido. Faz tempo que venho me preparando para isto, mas não imaginava que seria tão rápido", continuava o promotor. "Eu aposto muito nisto. Tudo, eu diria. Mas sempre tomei decisões e hoje não será exceção. E faço isso convencido, sei que não será fácil. Pelo contrário. Mas, antes tarde do que nunca, a verdade triunfa e tenho muita confiança", completou. Em sua primeira reação à morte de Nisman, em carta divulgada nas redes sociais, Cristina Kirchner se perguntava "quem ordenou a volta ao país" do promotor, interrompendo suas férias e deixando uma de suas filhas sozinha no aeroporto de Barajas, em Madri. Também em sua primeira aparição pública após a morte de Nisman, na segunda-feira passada, a presidente argentina insistiu em seu suposto "retorno imprevisto". A conta da Casa Rosada reproduz, além disso, versões jornalísticas dos últimos dias que incidem na teoria de que Nisman suspendeu suas férias por motivos desconhecidos. Não é a primeira vez que a Casa Rosada envolve-se no caso e recebe duras críticas por sua intervenção. No sábado passado, divulgou no Twitter os dados de viagem de Damián Pachter, o jornalista que divulgou a morte de Nisman e que, após deixar o país, denunciou que tomou essa atitude movido pelo medo. Um dia depois, pela mesma via, a Casa Rosada reproduziu informação de meios de comunicação e jornalistas argentinos, segundo a qual Pachter estava a caminho a Israel, onde pensava em refugiar-se. O vice-presidente da Associação de Magistrados, Ricardo Sáenz, questionou hoje as opiniões da presidente argentina sobre o caso Nisman e pediu que deixem a promotora Fein e a juíza do caso "trabalhar tranquilas". "Não é conveniente que (Cristina) siga opinando na causa desta forma; uma coisa é o debate político e outra coisa é opinar diretamente sobre o caso e, por exemplo, dizer o que a juíza deveria fazer", declarou Sáenz. Alberto Nisman morreu com um tiro na cabeça em circunstâncias ainda não esclarecidas no último dia 18 de janeiro, apenas um dia antes de comparecer perante o Congresso para detalhar a denúncia apresentada contra Cristina Kirchner e vários de seus colaboradores por acobertar os acusados iranianos do atentado contra a associação mutual israelita Amia, que deixou 85 mortos em 1994. EFE mar/rsd

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