Governo da Argentina critica EUA por ingerência em seus assuntos internos
Internacional|Do R7
Buenos Aires, 5 abr (EFE).- O governo da Argentina criticou neste sábado duramente os Estados Unidos pelo que considera como falácias e ingerência em seus assuntos internos, depois que uma alta funcionária de Washington afirmou que a economia do país sul-americano está "em muito má forma", informaram fontes oficiais. "Ao contrário dos Estados Unidos da América do Norte, a República Argentina não costuma opinar acerca das questões internas de outros países mas sim critica e seguirá criticando a ingerência nos assuntos internos de outros países", transmitiu a Chancelaria argentina em comunicado. "Quase 12 anos de uma política econômica autônoma, soberana e inclusiva mostraram a todos os argentinos a não se deixar atemorizar por expressões falazes de funcionários estrangeiros", sustenta o texto. O governo de Cristina Kirchner rebateu assim as declarações realizadas na sexta-feira pela subsecretária de Estado americana para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Roberta Jacobson, que durante um ato em Washington avaliou negativamente o estado da economia argentina. Em um extenso texto, a Chancelaria argentina lembra que "o colapso do capitalismo financeiro" em nível internacional mantém boa parte das economias mundiais em "muito má forma" e assinala que a crise começou no "coração do sistema financeiro americano" em 2007. "Por outro lado, é curioso que os representantes dos EUA se refiram ao estado da economia dos demais países passando por cima do influxo determinante que têm suas próprias decisões de política econômica sobre a economia mundial", acrescenta o comunicado. O texto também insiste no efeito da crise sobre os trabalhadores americanos e pede que "antes de opinar sobre a realidade de outros países" os funcionários americanos se ocupem de seus compatriotas. Em seguida, a Chancelaria argentina repassa alguns dos dados positivos registrados pela economia do país desde o começo do governo de Néstor Kirchner, em 2003, apesar "da influência negativa que exerceu a crise americana". Nesse sentido, destaca que o país cresceu 5,7% na média entre 2003 e 2014, a importância das políticas de desalavancagem, a reorientação de recursos para "fins produtivos" e "políticas sociais que o país demandava", além do aumento das exportações e das reservas de divisas. Segundo a Chancelaria, o caminho da desalavancagem só teve uma ameaça: o litígio judicial com fundos especulativos que não aceitam a reestruturação da dívida e conseguiram uma decisão propícia de um tribunal de Nova York. "Só uma visão parcial pode afirmar que a economia argentina se encontra 'em muito má forma'. Claro que os Estados Unidos nos tem acostumado a este tipo de excessos", segundo o comunicado. "Também o povo argentino não se esquece de que a ultima vez que os funcionários dos EUA viram a Argentina em 'muito boa forma', durante a década de 1990, o país terminou na pior crise política, econômica e social de sua história", continuou. EFE ngp/ma












