Governo do Burundi suspende diálogo com a oposição antes das eleições
Internacional|Do R7
Bujumbura, 20 jul (EFE).- O governo do Burundi suspendeu o diálogo com as forças da oposição após quatro dias de negociações infrutíferas nas quais o mediador ugandense, o ministro da Defesa, Chrispus Kiyonga, não conseguiu que ambas as partes aproximassem posturas. O fim do diálogo, que foi instituído ontem após o não comparecimento dos representantes do presidente do país, Pierre Nkurunziza, e confirmado na manhã desta segunda-feira, representa um duro revés para a comunidade internacional, que acreditava que conseguiria um acordo antes das eleições presidenciais de amanhã. O ministro do Interior e um dos homens de confiança de Nkurunziza, Edouard Nduwimana, culpou a oposição pelo fracasso das conversas e garantiu que é "incoerente continuar com o diálogo quando certas partes parecem ter outros objetivos". Nduwimana fazia referência a um comunicado, assinado por vários líderes da oposição que estavam representados nas negociações, no qual se pedia a criação de um conselho nacional para o respeito dos Acordos de Arusha, o que em essência significa pedir a retirada da candidatura de Nkurunziza. O ministro do Interior pediu a suspensão das negociações para estudar dito comunicado, mas desde ontem não houve novos contatos e a oposição já dá por feito o fato do governo se retirar porque não quer negociar um novo adiamento eleitoral, que era seu objetivo. Por sua vez, o presidente da ala não reconhecida da União pelo Progresso Nacional (Uprona), Charles Nditije, acusou o governo de bloquear as negociações para "impor sua vontade" e lamentou que a intransigência de Nkurunziza só faz o país se "afundar na crise". Burundi realiza amanhã eleições presidenciais no meio de uma escalada da violência, da rejeição internacional e do boicote da oposição perante a candidatura de Pierre Nkurunziza para tentar um terceiro mandato, apesar da Constituição só permitir dois. A pressão internacional só fez com que o governo atrasasse em duas ocasiões esta reunião eleitoral, embora a última delas só tenha sido adiada seis dias, por isso que a situação do país pouco mudou desde então. Desde que em abril o CNDD-FDD anunciou que Nkurunziza seria de novo seu candidato em um claro desafio à Constituição, uma violenta onda de protestos deixou mais de 70 mortos e mais de 160 mil deslocados, segundo os últimos dados da ONU. EFE em/ff










