Governo e oposição trocam acusações sobre responsabilidade de golpe de 73
Internacional|Do R7
Santiago do Chile, 9 set (EFE).- O governo do Chile e a oposição lembraram nesta segunda-feira de forma bem diferente o 40º aniversário do golpe de Augusto Pinochet, de 11 de setembro de 1973, concordando no pedido de verdade e justiça, mas divididos sobre a responsabilidade que cada bloco teve na conjuntura que antecedeu o golpe. O presidente Sebastián Piñera liderou um ato no Palácio de la Moneda e a ex-presidente, e novamente candidata, Michelle Bachelet outro que começou duas horas antes no Museu da Memória e dos Direitos Humanos. Ambos disseram que as violações aos direitos humanos são injustificáveis, mas enquanto Bachelet afirmou que o golpe é responsabilidade dos que o cometeram e justificaram, Piñera considera que existem responsabilidades compartilhadas, mesmo que não equivalentes. Eles foram os únicos a discursar nos atos realizados dois dias antes do aniversário do golpe contra o presidente Salvador Allende, a pouco mais de dois meses das eleições presidenciais, que acontecem dia 17 de novembro. A oposição de centro-esquerda recusou o convite do governo, o primeiro de direita a governar o país depois da ditadura (1973-1990). Diante de membros da base governista, que abarca setores aliados de Pinochet e que inclusive ainda defendem o ex-ditador, Piñera afirmou que o governo do socialista Allende (1970-1973) "quebrou a legalidade e o estado de direito". Para o presidente, a rachadura na democracia e as más políticas públicas provocaram um caos político, econômico e social crescente. "Isso não significa, claro, que todas as responsabilidades sejam equivalentes, mas que precisam ser muito mais compartilhadas do que alguns ainda sustentam", afirmou. "Alguns querem crer que toda a responsabilidade recai em quem cometeu ou ordenou as violações aos direitos humanos", opinou o que presidente, que também considera responsáveis "aqueles que não respeitaram o estado de direito e promoveram a intolerância, o ódio e a violência". Já Bachelet, favorita às eleições de novembro e candidata de um bloco que reúne da Democracia Cristã ao Partido Comunista, reconheceu que é "justo falar da agudização do conflito social" durante o governo de Salvador Allende. "O que não é justo é falar do golpe de Estado como um destino fatal e inevitável. Não é justo afirmar que houve uma guerra civil na tomada de decisões, porque para dar continuidade e respaldo à democracia era necessário mais democracia, não um golpe de Estado", criticou em discurso para integrantes do pacto eleitoral Nova Maioria. "As responsabilidades da implantação da ditadura, os crimes cometidos por agentes do Estado, a violação dos direitos humanos não são justificáveis, não são inevitáveis, e são responsabilidade de quem os cometeu e os justificou", ressaltou. Piñera, que não falou em "ditadura" no ato, concordou que não há argumento que justifique as violações dos direitos humanos, que deixaram 38 mil vítimas de torturas e prisões, mais de três mil mortos e cerca de 1.200 desaparecidos. "Nenhum dos fatos, causas, erros ou responsabilidades que conduziram ao rompimento da democracia justificam as inaceitáveis agressões à vida e a integridade das pessoas", discursou Piñera, que votou pelo "não" à continuidade de Pinochet no plebiscito de 1988. Bachelet, que foi torturada e era filha de um general leal ao presidente Allende, que morreu torturado pelos companheiros de armas, advertiu que sem verdade e justiça não haverá reconciliação no país. "A verdade, porque temos necessidade de conhecer o que viveram as vítimas e o que se passou com eles. E a justiça, porque onde a justiça se nega, a impunidade ocupa seu espaço aprofundando as fraturas de um povo", ressaltou. Para Piñera, é preciso fazer o necessário para aliviar "a dor e sofrimento" dos que ainda desconhecem o paradeiro de seus familiares "avançando na verdade, na justiça, na reparação e na reconciliação", e disse que "quem tiver informação relevante têm a obrigação moral de entregá-la". No entanto, poucos são os militares apoiadores do golpe que colaboraram com a justiça. Nos tribunais tramitam atualmente 1.250 processos, e já foram julgados 911 ex-agentes, 263 deles condenados e só 66 cumprem pena efetivamente, e o resto ainda espera o resultado do julgamento. Bachelet disputará o cargo de presidente com a candidata do governo Evelyn Matthei, filha de um general que integrou a Junta Militar. Matthei afirmou hoje que "as violações aos direitos humanos não são nunca aceitáveis". EFE frf-mf/cd (foto)(vídeo)











