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Governo interino do Egito chama Irmandade Muçulmana de "extremista" e pede o fim do grupo islamita

Novos confrontos foram registrados no sábado (17) em uma mesquita no Cairo

Internacional|Do R7

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De dentro da mesquita Al Fateh, mulher conversa com policiais antes da entrada de policiais
De dentro da mesquita Al Fateh, mulher conversa com policiais antes da entrada de policiais

O primeiro-ministro egípcio propôs neste sábado (17) dissolver a Irmandade Muçulmana, grupo do presidente deposto Mohamed Mursi e que vem levando, nas últimas semanas, milhares de manifestantes às ruas do Egito. O anúncio, feito em entrevista coletiva do governo interino, aumenta ainda mais o risco de um confronto sangrento entre as forças de segurança e os islamitas pelo controle do país.

Centenas de pessoas foram mortas em confrontos violentos nesta semana entre as forças de segurança e partidários da Irmandade Muçulmana, que vem convocando protestos para pedir o retorno de Mursi ao poder, deposto por um golpe militar no dia 3 de julho.


Além da repressão policial contra os islamitas, a violência desta semana também ficou marcada por ataques dos próprios manifestantes islamitas contra delegacias, igrejas e prédios do governo. Em razão disso, o governo interino começou a tratar os manifestantes como "terroristas". Segundo Mostafa Hegazy, conselheiro do presidente interino, o Egito enfrenta uma "guerra pelas forças do extremismo" e vai confrontá-la com "medidas de segurança dentro do arcabouço da lei".

Ao menos 173 morreram nas últimas horas


Sábado foi marcado por confronto em mesquita

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Com a insatisfação aumentando de ambos os lados, e nenhum sinal de acordo em vista, o primeiro-ministro, Hazem el Beblawi, propôs a dissolução legal da Irmandade, uma medida que pode fazer o grupo se esconder e levar a uma repressão ainda maior.

"Isso está sendo estudado atualmente", afirmou o porta-voz do governo, Sherif Shauqi.


A Irmandade foi oficialmente dissolvida pelos militares em 1954, mas se registrou como uma organização não-governamental em março, em resposta a um processo promovido por seus oponentes, que questionavam sua legalidade.

Fundado em 1928, o movimento também tem um braço político legal, o Partido Liberdade e Justiça, que foi lançado em 2011 depois da revolta que derrubou o ditador Hosni Mubarak.

"A reconciliação está aí para aqueles cujas mãos não estão sujas de sangue", afirmou Shauqi.

A Irmandade venceu todas as cinco eleições ocorridas após a queda de Mubarak, e Mursi governou o país por um ano até ser minado por grandes manifestações convocadas por seus críticos, que consideravam seu governo incompetente e partidário.

O chefe do Exército, Abdel Fattah al Sisi, diz que tirou Mursi do poder em 3 de julho para proteger o país de uma possível guerra civil. No entanto, a violência dos últimos dias torna real cada vez mais a possibilidade de um confronto armado.

Sábado tem novos confrontos

Também hoje, o Ministério do Interior afirmou que 173 pessoas morreram em confrontos em todo o Egito nas últimas horas, levando o número total de mortos nos três dias de massacre para quase 800, além de 1.300 feridos. Para a Irmandade Muçulmana, o número de mortos dos últimos dias já passa de mil.

Entre os mortos está o filho do líder da Irmandade, Mohamed Badie, atingido por um tiro durante um protesto na Praça Ramsés, no Cairo, onde cerca de 95 pessoas morreram em uma tarde de tiroteios e destruição na sexta-feira.

Autoridades egípcias afirmaram que prenderam mais de mil islamitas e cercaram a Praça Ramsés após a "sexta-feira da raiva", nome dado pela Irmandade para denunciar a letal repressão a seus partidários na quarta.

Após três dias de confrontos violentos em todo o país, o sábado ficou marcado por apenas um grande confronto, ocorrido dentro da mesquita de Al Fateh, no bairro de Ramsés, utilizada como hospital pelos manifetsantes islamitas.

Imagens ao vivo de uma emissora de televisão mostraram um homem atirando contra soldados e policiais do minarete da mesquita, enquanto forças de segurança devolviam fogo contra o prédio no qual os partidários de Mursi se abrigavam. Testemunhas da Reuters disseram que os defensores de Mursi também trocaram tiros com as forças de segurança dentro da mesquita.

Manifestantes disseram que gás lacrimogêneo foi disparado dentro da sala de orações da mesquita para tentar fazer todos saírem do local, enquanto tiros eram ouvidos.

Segundo a agência estatal Mena, as forças da polícia entraram na mesquita, onde um grupo de islamitas estava entrincheirado, e, após uma troca de tiros, detiveram seguidores do presidente deposto. Segundo a Mena, as forças governamentais impediram que os detidos fossem linchados pela multidão de opositores de Mursi que os esperavam fora da mesquita.

Por sua vez, a Irmandade Muçulmana, confirmou a entrada dos membros das forças de segurança na mesquita, onde alegaram que havia "manifestantes pacíficos". A Irmandade informou em seu site que as forças especiais entraram na mesquita com a ajuda de helicópteros militares.

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