Grã-Bretanha diz ter alertado Índia sobre ataque a templo sagrado em 1984
Internacional|Do R7
Por Andrew Osborn
LONDRES, 4 Fev (Reuters) - A Grã-Bretanha ajudou secretamente a Índia a planejar um ataque mortífero contra separatistas sikhs entrincheirados no Templo Dourado de Amritsar, em 1984, disse o governo britânico nesta terça-feira, ressalvando que a influência do país foi limitada e, portanto, não há necessidade de pedir desculpas.
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, ordenou uma revisão da questão no mês passado depois de o governo ter divulgado inadvertidamente documentos oficiais sugerindo que Margaret Thatcher, a então primeira-ministra, havia enviado um agente do serviço aéreo especial de elite SAS para orientar a Índia na operação.
A divulgação não planejada do documento desagradou aos sikhs britânicos, que Cameron está cortejando tendo em vista as eleições de 2015, e na Índia provocou críticas nacionalistas do governista Partido do Congresso, que enfrenta dificuldades em sua campanha para a reeleição na votação nacional marcada para maio.
O Partido do Congresso, na época sob o comando da primeira-ministra Indira Gandhi, estava no poder na época da operação no Templo Dourado, o principal santuário dos sikhs. Foi um episódio sangrento que revoltou os sikhs no mundo todo. Eles acusaram o Exército indiano de dessacralizar o templo.
A cifra de mortos no ataque permanece controversa: as autoridades indianas dizem que foram centenas, mas grupos sikhs falam em milhares.
Em um comunicado ao Parlamento, o secretário de Relações Exteriores britânico, William Hague, disse que uma investigação oficial da principal autoridade civil britânica confirmou que um oficial da SAS tinha sido despachado para a Índia em 1984 - a pedido do governo indiano - para ajudar a planejar o assalto desfechado em junho daquele ano.
Mas ele afirmou que o impacto da influência do oficial tinha sido limitado e que os indianos pareciam ter desconsiderado os principais elementos da orientação dada.
"A natureza da assistência da Grã-Bretanha era puramente de aconselhamento, restrita e entregue ao governo indiano em uma etapa inicial", disse Hague ao Parlamento. "Teve impacto limitado nos eventos trágicos que se desenrolaram no templo três meses depois."
O oficial da SAS havia aconselhado os indianos que uma operação militar deveria ser apenas a última opção, disse Hague, e que qualquer incursão deveria usar elementos de surpresa e forças amparadas por helicópteros para tentar minimizar as baixas.
Segundo ele, as forças indianas não seguiram nenhuma dessas orientações e não houve nenhuma ligação entre o conteúdo dessa orientação com as vendas britânicas do setor de defesa para a Índia. Nem há nenhum registro de que a Grã-Bretanha recebeu antecipadamente informações sobre a investida das forças indianas.
O ataque ao templo, com objetivo de expulsar os separatistas sikhs que exigiam uma pátria independente, levou ao assassinato de Indira, em outubro de 1984, quando dois de seus guarda-costas sikhs atiraram contra ela no jardim de sua residência.
(Reportagem adicional de William James)








