Grã-Bretanha obrigou Guardian a destruir cópia de material de Snowden
Internacional|Do R7
Por Mark Hosenball
WASHINGTON, 19 Ago (Reuters) - O editor do Guardian, jornal que foi crucial em divulgar as revelações de Edward Snowden sobre atividades secretas de espionagem governamental, disse que o governo britânico ameaçou processar a publicação se ela não destruísse ou entregasse documentos sigilosos em seu poder.
Em artigo publicado na segunda-feira no site do Guardian, o editor Alan Rusbridger disse que há um mês, depois de o jornal publicar várias reportagens baseadas no material de Snowden, uma autoridade britânica lhe disse: "Vocês já se divertiram, agora queremos esse troço de volta".
Após outras conversas com o governo, disse Rusbridger, dois "especialistas em segurança" da Sede Governamental de Comunicações, um órgão de segurança nacional, visitou a redação do jornal em Londres.
No porão do edifício, escreveu Rusbridger, funcionários do governo observaram enquanto os computadores que continham o material entregue por Snowden eram fisicamente pulverizados. "Podemos cancelar os helicópteros pretos", brincou um dos funcionários, segundo o relato do editor.
A decisão do Guardian de divulgar a ameaça governamental - e a posição do jornal de que pode continuar noticiando as revelações de Snowden de fora da Grã-Bretanha - parece ser o mais recente capítulo em uma batalha entre a imprensa e os governos por causa dos programas secretos de espionagem.
No domingo, autoridades britânicas detiveram durante nove horas o companheiro brasileiro de Glenn Greenwald, repórter do Guardian que fez as primeiras revelações com base nos documentos sigilosos entregues por Snowden, ex-prestador de serviços da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA, hoje asilado na Rússia.
As autoridades britânicas se valeram de uma lei antiterror para deter David Miranda, que fazia conexão em Londres durante uma viagem de Berlim para o Rio. Segundo Greenwald, seu companheiro foi interrogado sobre as atividades do correspondente e teve aparelhos eletrônicos apreendidos.
Uma fonte oficial de segurança dos EUA disse à Reuters que um dos principais objetivos do governo britânico ao deter Miranda foi enviar uma mensagem a quem tiver recebido material de Snowden - inclusive o Guardian - de que as autoridades em Londres estão realmente empenhadas em contar os vazamentos.
O governo dos EUA negou ter solicitado a detenção do brasileiro, mas admitiu ter sido avisado de antemão pelas autoridades britânicas.











