Grécia lembra 40 anos de revolta estudantil sob a sombra de violência
Internacional|Do R7
Atenas, 17 nov (EFE).- A Grécia lembra neste domingo, com uma imensa passeata, o aniversário de 40 anos do levante da Universidade Politécnica, em um momento em que aumenta a violência extremista e a "troika" de credores internacionais - formada pelo Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e pela Comissão Europeia - pede novos esforços econômicos ao país. Mais de sete mil policiais foram desdobrados em Atenas perante o temor que possam ocorrer ações violentas durante a manifestação, que sairá da Universidade Politécnica em direção à embaixada dos Estados Unidos. Durante praticamente o dia todo estarão fechadas cinco estações de metrô e se suspendeu o tráfego de ônibus e bondes no trecho pelo qual se desenvolverá a passeata. A comemoração não só acontece em um momento em que a "troika" se encontra em Atenas para supervisionar o programa de reformas - a reunião prevista para hoje foi adiada -, mas coincide com uma escalada da violência extremista que já provocou três mortes. Após o assassinato em setembro do rapper esquerdista Pavlos Fyssas por um neonazista, no mesmo mês dois membros do partido ultradireitista Aurora Dourada foram assassinados a tiros, em um ato que ontem à noite foi reivindicado por um grupo de extrema esquerda até agora desconhecido. O grupo ligou no sábado para o portal informativo zougla.gr anunciando que tinha depositado no monumento às vítimas do nazismo em Atenas um disco de memória que continha um comunicado. No comunicado, que a polícia considera autêntico - segundo a televisão pública -, o grupo em questão afirma que cometeu os assassinatos em represália pela morte de Fyssas e anuncia novas ações contra o Aurora Dourada. Esta nova reviravolta obscurece uma comemoração que nos últimos dias tinha estado marcada por chamadas ao protesto pacífico. Políticos de todos os partidos aproveitaram a data histórica - em 17 de novembro de 1973 tanques do Exército puseram fim a uma ocupação estudantil pacífica que tinha durado três dias - para lançar uma mensagem contra o neonazismo e a violência. Assim, por exemplo, o vice-primeiro-ministro e líder do partido social-democrata Pasok, Evangelos Venizelos, afirmou que é dever de todos os políticos evitar que a juventude de hoje em dia - castigada por um desemprego que afeta quase 60% dela - se transforme em uma "geração perdida". Por sua parte, Alexis Tsipras, líder do principal partido da oposição, o esquerdista Syriza, espera uma manifestação maciça, mas pacífica. "Quarenta anos depois, a Universidade está aqui para nos recordar seu sentido e para inspirar as lutas de hoje, que são a libertação definitiva do país da corda dos memorandos, a defesa da coesão social e a proteção dos fracos", disse Tsipras. EFE ih/rsd












