Grupo promete resistir à desocupação do antigo Museu do Índio
Internacional|Do R7
Rio de Janeiro, 20 mar (EFE).- Um grupo de 40 índios e simpatizantes protestaram nesta quarta-feira no antigo Museu do Índio, próximo ao Maracanã, horas antes do fim do prazo determinado pela Justiça Federal para a desocupação. Os índios vivem desde 2006 neste edifício, abandonado em 1978, e nos últimos meses mantiveram uma queda de braço com o governo do Rio de Janeiro, que pretendia derrubá-lo dentro do plano de modernização da área para a Copa do Mundo de 2014. No final de janeiro, o governo concordou em manter o prédio de pé, mas decidiu transformá-lo em um museu olímpico, uma ideia à qual os índios se opõem. O advogado dos índios, Arão Guajajara, também de origem indígena, disse hoje que a resistência é "legal e justa" e exigiu que o antigo museu seja destinado à divulgação da cultura dos povos nativos do Brasil. O governo do Rio ofereceu em troca construir um centro cultural em outro lugar, sem detalhar nem o local nem a data, e a criação de um conselho regional para defender os direitos indígenas, mas os índios também rejeitaram essa oferta. Um tribunal deu como prazo a noite de hoje para que os ocupantes desalojem o edifício e a expectativa é que a polícia cumpra a ordem amanhã de manhã, segundo disseram os próprios índios em entrevista coletiva no pátio do edifício, que foi sede do Museu do Índio entre 1910 e 1978. "Não estamos na condição de invasores. Estamos aqui como protetores do patrimônio indígena", afirmou um dos manifestantes, Micael Oliveira, da etnia baré do Amazonas. O índio Caguaté Pataxó, procedente da Bahia, contou à Agência Efe que, além de moradia, o edifício serve para que os membros da etnia pataxó "vendam artesanato e façam algumas representações" de sua cultura. "É o lugar que temos para ficar porque não estamos em condições para pagar um hotel durante um mês ou 15 dias", comentou. O índio pataxó opinou que o edifício deveria ser utilizado para dar "uma história indígena ao Rio de Janeiro" em vez de dedicá-lo à memória olímpica. EFE jbl/rsd (foto)(vídeo)











