Há 12 anos no poder, Tayyip Erdogan vence eleições presidenciais na Turquia
O primeiro-ministro ganhou com 54,7% dos votos e já fala em ficar a frente do país até 2023
Internacional|Do R7

Tayyip Erdogan tornou-se o primeiro presidente eleito da Turquia depois de vencer as eleições neste domingo, disse o ministro da Justiça, Bekir Bozdag, em sua conta no Twitter.
— O presidente do Partido AK e primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, tornou-se o primeiro presidente eleito pelo povo.
De acordo com os resultados preliminares, o primeiro-ministro ganhou no primeiro turno com 54,7% dos votos. O rival mais próximo, Ekmeleddin Ihsanoglu, ficou com 36,7% e Selahattin Demirtas, aparece em terceiro lugar com 8,5%. Pelas regras, o candidato que obtivesse mais de 50% venceria as eleições, sem a necessidade de um segundo turno.
O presidente da Turquia tem poderes limitados e um papel mais cerimonial, embora Erdogan tenha dito que quer realizar uma reforma legal para conceder mais poder ao chefe do Estado. Para fazer esta reforma seria necessário uma mudança constitucional, o que só seria possível com uma ampla vitória do AKP (Partido da Justiça e Desenvolvimento), liderado pelo próprio Erdogan, nas eleições legislativas de 2015.
Até o momento Erdogan prometeu uma presidência "ativa", utilizando todas as funções do cargo, como a possibilidade de convocar e presidir as reuniões do gabinete de ministros. O presidente eleito, que esteve à frente do governo turco os últimos 12 anos, não oculta seu desejo de seguir no poder pelo menos até 2023, quando será celebrado o centenário da fundação da República Turca.
Aproximadamente 53 milhões de turcos foram convocados para votar e a participação popular foi de 75%, segundo a imprensa turca, abaixo de 89% registrado nas eleições locais de março. Todos os analistas coincidiram que uma baixa participação beneficiaria Erdogan, já que seu eleitorado conservador é mais fiel que o dos partidos laicos da oposição.
O principal rival de Erdogan, Ekmeleddin Ihsanoglu, de 70 anos, não despertou entusiasmo entre os eleitores dos dois partidos opositores, o social-democrata CHP e o nacionalista MHP, e seus resultados ficaram abaixo do apoio que estas legendas costumam obter de forma combinada.
O terceiro candidato, o jovem político curdo Selahattin Demirtas, alcançou um bom resultado para seu partido, o pró-curdo BDP, que nunca teve mais de 7% dos votos, ao conseguir a adesão de eleitores laicos turcos atraídos por seu ideário de esquerda.













