Herdeiro da família Bhutto entra no cenário político paquistanês
Internacional|Do R7
P. Miranda. Islamabad, 7 fev (EFE).- Bilawal Bhutto começou com 24 anos a cumprir o que aos olhos de quase todos no Paquistão é seu destino: liderar o partido criado por seu avô e consolidado por sua mãe e chegar ao comando do país asiático no futuro. O discurso feito há pouco mais de um mês pelo jovem herdeiro da grande saga política paquistanesa, em comemoração ao quinto aniversário do assassinato de sua mãe, marcou, para muitos, a chegada formal do jovem Bilawal à arena política de seu país. "Foi um bom discurso, bem articulado", afirmou o analista local Razá Rumi, que acredita que o primogênito de Benazir Bhutto e do atual presidente, Asif Ali Zardari, "definitivamente entrou no jogo político do Paquistão". Pouco depois do assassinato de sua mãe, em um comício na cidade de Rawalpindi no dia 27 de dezembro de 2007, o quase adolescente Bilawal foi nomeado presidente do Partido Popular do Paquistão (PPP), mas ficou claro que era uma designação simbólica. Quem realmente assumiu a liderança do partido e conseguiu a vitória nas urnas pouco depois foi seu pai, à espera que seu primogênito crescesse e completasse sua formação. O agora herdeiro voltou e aparece como o mais claro candidato a assumir a liderança do PPP, já que Zardari tem o dever constitucional de se afastar do partido, o qual ainda lidera em conjunto com seu filho. O discurso de Bilawal no último mês de dezembro em frente ao mausoléu de sua família na província de Sindh teve a atuação esperada de um Bhutto; foi populista e com referências ao sangue derramado de sua família. O jovem, recém-chegado após concluir a graduação em História em Oxford, recuperou o slogan usado por seu avô há quase meio século - 'pão, roupa e casa' -, e criticou o Poder Judiciário, que martirizou seu partido, por não processar os assassinos de sua mãe. "Não podem ver o sangue de Benazir Bhutto nas ruas de Rawalpindi?", disse Bilawal diante dos fiéis seguidores de seu partido. Não só sua mãe foi assassinada; dois de seus tios maternos morreram violentamente e seu célebre avô, o patriarca Zulfiqar Ali Bhutto, foi enforcado dois anos depois do golpe de estado que o derrubou em 1977. "Bilawal Bhutto é um trunfo claro para conquistar o voto dos jovens", declarou Rumi, diretor do Instituto Jinnah de Ciência Política. Em um país no qual quase a metade dos cerca de 84 milhões de eleitores recenseados tem menos de 35 anos, esse é um elemento que pode ter grande importância nas eleições previstas para os próximos meses, provavelmente em maio. A juventude e inexperiência de Bilawal deixam dúvidas sobre sua capacidade de entrar na vida política. Nos ambientes diplomáticos circula a opinião de que a aparição do jovem Bhutto é uma nova cartada de seu pai, o habilidoso Zardari. "Está claro que em um partido criado pelos Bhutto e com o culto que têm seus eleitores a esse sobrenome, a entrada da terceira geração tem um grande efeito mobilizador sobre o eleitorado do PPP", afirmou Rumi. Essa capacidade pode ser muito bem-vinda pelos gerentes do atual partido do Governo, conscientes de que as próximas eleições podem ser decididas em áreas rurais da província de Sindh, justo onde os Bhutto têm maior influência. O jovem herdeiro não pode ser parlamentar até completar 25 anos, o que acontecerá em setembro, por isso, dificilmente poderá concorrer às urnas. No entanto, imprensa e analistas políticos locais mostraram sua convicção de que o jovem Bhutto vai conseguir uma cadeira na próxima legislatura mediante alguma das frequentes eleições parciais convocadas para cobrir baixas parlamentares. Após o surgimento político de Bilawal, se intensificaram as comparações com Rahul Gandhi, herdeiro da dinastia Nehru-Gandhi na vizinha Índia, mas além da diferença de idade (Rahul tem mais de 40 anos), os dois vivem em contextos políticos diferentes. O que, sem dúvida, parecem compartilhar é um destino marcado por um sobrenome que está ligado ao poder e até certo ponto à tragédia, já que o pai e a avó de Rahul - Rajiv e Indira Gandhi - também morreram assassinados por causas políticas. A famosa jornalista política local, Quatrina Hussain, resumiu a questão recentemente em declarações ao jornal "Express Tribune": "Preparado ou não, não há opção. Se você nasce com o nome Bhutto ou Gandhi, não tem opção". EFE pmm/rpr/rsd













