Hillary defende sua opção pela diplomacia "suave" em seu último discurso
Internacional|Do R7
Lucía Leal. Washington, 31 jan (EFE).- Hillary Clinton defendeu nesta quinta-feira seu legado como secretária de Estado, mencionou seu apoio a "causas suaves", como os direitos da mulher e a ajuda ao desenvolvimento, e previu que os Estados Unidos "seguirão liderando o mundo" no século 21. Em seu último discurso como chefe das Relações Exteriores dos Estados Unidos, Hilarry fez um histórico de sua trajetória desde que assumiu o cargo, em 2009. Amanhã, a secretária de Estado cederá o cargo ao ex-senador democrata John Kerry. "Hoje, o mundo continua sendo um lugar perigoso e complicado. Mas os Estados Unidos são mais fortes em casa e mais respeitados fora, e nossa liderança global é mais estável do que muitos previram", disse em seu discurso no centro de estudos Council for Foreign Relations (CFR). Hillary Clinton considerou que em um mundo em transformação é necessário usar novas "alavancas" que "podem dar forma aos assuntos internacionais". Entre elas, citou as novas tecnologias, a agenda de não-proliferação nuclear, o desenvolvimento econômico, a política energética, a defesa da democracia e os direitos humanos, e com especial ênfase a igualdade de gênero, que classificou como "a matéria pendente do século 21". "Sei que muitos analistas políticos escutarão esta lista e dirão: 'Não é tudo isso um pouco suave? O que ocorre com as políticas duras?'. Bem, essa é uma escolha falsa. Necessitamos ambas, e ninguém deveria pensar o contrário", afirmou. "Há limites ao que o poder suave pode alcançar por si próprio, e também ao que o poder duro pode alcançar por si. Por isso, desde o primeiro dia, falei de um poder inteligente", que integre ambas as visões, acrescentou. Esse conceito, assegurou, funcionou na relação com a Ásia e o Pacífico, região que ganhou mais importância desde que Hillary ocupou o cargo, e onde, segundo a secretária, não ocorreram apenas esforços militares, mas também econômicos, energéticos e de segurança virtual. A relação com a China, afirmou, foi marcada por uma "amplitude e resistência" que foi demonstrada em maio do ano passado, quando uma cúpula econômica bilateral coincidiu com tensas negociações sobre o destino do dissidente Chen Guancheng. "Podemos defender nossos valores ao mesmo tempo em que promovemos nossos interesses", afirmou. "O Pacífico é suficientemente grande e seguiremos dando as boas-vindas ao crescimento da China se escolher representar um papel construtivo na região", opinou. Em relação ao Oriente Médio e ao Norte da África, disse que durante seu tempo como chefe da diplomacia americana "houve progressos, embora não suficientes", e reconheceu os poucos avanços no processo de paz entre israelenses e palestinos e na resposta ao conflito na Síria. "Não vou a fingir que os Estados Unidos têm todas as soluções para estes problemas. Não as temos", admitiu. "Mas temos claro o futuro que queremos para a região. Queremos ver uma região em paz consigo mesma e com o mundo, onde as pessoas vivam com dignidade, não em ditaduras. E onde triunfem os empreendedores, não os extremistas". Ao seu sucessor recomendou "consolidar a liderança na Ásia-Pacífico sem tirar os olhos do Oriente Médio, seguir trabalhando para interromper a proliferação de armas (nucleares) no Irã e na Coreia do Norte, conduzir o fim da missão de combate no Afeganistão sem perder a pista da Al Qaeda e seguir uma agenda econômica que percorra desde a Ásia até América Latina e Europa". Também pediu que o novo secretário de Estado mantenha "os olhos abertos para ver as próximas Birmânias", em referência à progressiva abertura do regime militar em Myanmar (antiga Birmânia), que Washington espera ver também em Cuba e na Coreia do Norte. Hillary também anunciou o investimento de US$ 86,5 milhões em quatro novas iniciativas para apoiar mulheres que criem empresas de energia limpa, para defender os direitos da comunidade homossexual, facilitar o acesso a internet em comunidades pobres e investir em cozinhas que não produza gases poluentes. Para amanhã está prevista uma despedida formal dos funcionários do Departamento de Estado, e em seguida a transferência de suas funções para John Kerry, que jurará o cargo pela tarde em cerimônia privada. EFE llb/dk (foto)










