Imigração e armas, êxito e fracasso de primeiros 100 dias de Obama
Internacional|Do R7
Miriam Burgués. Washington, 29 abr (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, completa nesta segunda-feira 100 dias de seu segundo mandato com avanços sobre a reforma migratória, muitos obstáculos em sua luta por um maior controle das armas e a atenção sobre política externa voltada para o conflito na Síria. Obama iniciou formalmente seu segundo mandato em 20 de janeiro, embora a cerimônia pública de posse tenha ocorrida um dia depois. Seu índice de aprovação atual é de cerca de 49%, segundo uma média das últimas pesquisas. Nestes primeiros 100 dias o presidente conseguiu que o Congresso começasse a debater um projeto de lei de reforma migratória, mas estes mesmos legisladores deram as costas aos seus esforços por impulsionar normas mais restritivas sobre a posse de armas. O Senado estuda atualmente um projeto de lei de reforma migratória negociado entre um grupo de oito senadores democratas e republicanos. Obama apoia o plano, que estipula um prazo de 10 anos para a legalização da situação dos imigrantes sem documentos, fornece US$ 3 bilhões para a segurança na fronteira e penaliza as empresas que contratem com conhecimento imigrantes ilegais, entre outros aspectos. Na semana passada, durante a inauguração em Dallas da biblioteca sobre o legado do ex-presidente George W. Bush, Obama reiterou que espera que neste ano seja aprovada a reforma migratória, uma das promessas descumpridas de sua primeira campanha eleitoral. Com um Congresso muito dividido e a Câmara dos Representantes em mãos republicanas, Obama não conseguiu um avanço no debate sobre o controle das armas de fogo, uma luta na qual se envolveu pessoalmente após o massacre de dezembro do ano passado em uma escola de Newtown, onde morreram 20 crianças e seis adultos. Em 17 de abril, uma emenda bipartidária sobre a verificação de antecedentes dos compradores de armas não obteve no plenário do Senado o mínimo de 60 votos necessário para continuar sua tramitação. Essa medida previa um controle de antecedentes mais rígido que o atual, mas menos duro que o originalmente solicitado por Obama. As propostas para proibir as armas semiautomáticas de tipo militar e os carregadores de munição de grande capacidade, ambas respaldadas pelo presidente, sofreram nesse mesmo dia derrotas no Senado. Já os desacordos entre Obama e o Congresso sobre como reduzir o alto déficit público causaram cortes automáticos de US$ 85 bilhões no orçamento federal que entraram em vigor automaticamente em 1º de março. Obama apresentou em abril seu orçamento para o ano fiscal de 2014, que atende exigências republicanas ao incluir reformas para reduzir o custo de programas sociais. No entanto, o orçamento coloca os milionários na mira ao estipular mais impostos para as grandes fortunas, o que tem por objetivo aumentar a receita federal. Sua oferta não agradou os republicanos, que anteciparam que não vão aceitar que os cortes de despesas estejam condicionados a aumentos tributários para os mais ricos. Ao mesmo tempo, os democratas mais progressistas ficaram insatisfeitos com reduções na Seguridade Social e no programa de saúde para idosos e aposentados Medicare. Em relação à prisão de Guantánamo (Cuba), que Obama prometeu fechar logo após chegar à Casa Branca, uma greve de fome foi iniciada há quase três meses para chamar a atenção sobre as condições da prisão. Atualmente, cerca de 100 dos detentos já participam do protesto, segundo números oficiais. Na política externa, a situação esteve dominada recentemente pelas ameaças nucleares da Coreia do Norte, mas nos últimos dias a atenção girou novamente em torno da Síria. Obama prometeu na sexta-feira passada uma investigação a fundo sobre o uso de armas químicas no país e alertou que se isto for comprovado mudará seu "cálculo" sobre como atuar diante de um conflito que já dura mais de dois anos e deixou cerca de 70 mil mortos. Até agora os EUA estão fornecendo ajuda "não letal" aos grupos opositores sírios e Obama resiste a enviar armas por medo de que caiam nas mãos de organizações terroristas. E com o objetivo de aprofundar a relação com a Ásia, como o próprio presidente prometeu em várias ocasiões, Obama visitará nesta semana o México e a Costa Rica, o que será sua primeira viagem de seu segundo mandato para a América Latina. EFE mb/dk










