Irã aponta possível caminho para contornar impasse nuclear
Internacional|Do R7
DUBAI, 17 Nov (Reuters) - O Irã tem o direito de enriquecer urânio, mas não insiste para que os outros reconheçam este direito, disse o principal negociador nuclear do Irã neste domingo, em uma aparente tentativa de contornar um dos pontos de impasse entre Teerã e as potências mundiais nas negociações desta semana.
Irã e seis potências mundiais estão se aproximando de um acordo inicial para conter o programa nuclear iraniano, disseram uma alta autoridade dos Estados Unidos e o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, nos últimos dias, aumentando as esperanças de um fim pacífico para a discussão que já dura 10 anos.
As conversações em Genebra entre o Irã e o chamado P5+1 - Grã Bretanha, China, França, Alemanha, Rússia e EUA - nos dias 7 e 8 de novembro, pareciam estar perto de chegar a uma solução, mas terminaram sem acordo.
Diplomatas ocidentais disseram que um dos pontos de impasse durante as conversações foi o argumento do Irã de que tem o "direito" de enriquecer urânio. Os EUA argumentam que o Irã não tem intrinsecamente esse direito, de acordo com o Tratado de Não-Proliferação Nuclear.
Os dois lados, no entanto, concordaram em se reunir novamente na cidade suíça no dia 20 de novembro.
"Não só consideramos que o direito do Irã de enriquecer é inegociável, mas não vemos também nenhuma necessidade de que isso seja reconhecido como 'um direito', porque esse direito é inalienável e todos os países devem respeitar isso," disse o negociador-chefe do Irã e ministro das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif, à agência de notícias Isna.
As negociações buscam chegar a um acordo interino para haja tempo de negociar um acordo abrangente, permanente, que acabaria com um impasse de 10 anos e forneceria garantias às seis potências de que o programa atômico do Irã não produzirá bombas.
O Irã nega que queira desenvolver armas nucleares e insiste que seu programa se limita à geração pacífica de eletricidade e pesquisa médica.
Zarif afirmou que está confiante que um acordo poderá ser atingido, mas advertiu que o progresso feito nas recentes negociações poderá ser revertido, caso um "resultado satisfatório" não seja alcançado. "Queremos chegar a um acordo e a um entendimento", disse ele.
Poucos detalhes de um acordo em potencial têm sido divulgados, mas as potências ocidentais querem inspeções mais rígidas das instalações nucleares do Irã e o fechamento de um reator que poderia produzir plutônio. O Irã quer o alívio das sanções internacionais que têm aumentado a inflação e causado queda nas receitas do petróleo e no valor de sua moeda.
"Atingimos um estágio muito sensível das negociações, e nesta fase não queremos entrar em detalhes", disse Zarif.
"É necessário que eles levantem as sanções e as pressões econômicas que impuseram ao povo do Irã. Estamos caminhando nessa direção."
(Por Isabel Coles e Jon Hemming)











