Irã reconhece que ainda existem assuntos pendentes na negociação nuclear
Internacional|Do R7
Lausanne (Suíça), 31 mar (EFE).- Um negociador iraniano do alto escalão no diálogo nuclear reconheceu nesta terça-feira, faltando poucas horas para o fim do prazo de negociação, que ainda há várias questões que precisam ser resolvidas para se alcançar um acordo sobre o programa iraniano. "Ainda há outros temas que devem ser resolvidos hoje ou esta noite", disse aos jornalistas em Lausanne o diretor político do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Hamid Baidi Nejat, ao lembrar que não haverá um acordo "até que todos os temas estejam resolvidos". Com a menção de "outros temas" se referia ao fato que, segundo os iranianos, a questão do alívio das sanções internacionais impostas sobre sua economia "está resolvida". Baidi Nejat explicou que este tema polêmico já tinha sido resolvido há alguns dias, "não hoje, nem ontem", mas admitiu que os negociadores tiveram "longas discussões" sobre essa questão. No entanto, reconheceu que os temas pendentes "estão relacionados com as sanções que ainda estão sendo consideradas", sem especificar quais são elas. Nos últimos dias, as sanções foram apontadas como um dos principais empecilhos para se chegar a um consenso, já que a República Islâmica quer a suspensão imediata das mesmas como a consequência mais concreta de um eventual acordo. Uma posição que hoje recebeu o apoio público do ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, em entrevista coletiva em Moscou, pouco antes de retornar a Lausanne para se reincorporar ao diálogo multilateral. No entanto, os países do G5+1 exigem que isso seja um processo paulatino e vinculado ao cumprimento do tratado. Baidi Nejat deixou claro que as discussões continuam intensamente para se encontrar "soluções estipuladas por todos" e advertiu que este processo seguirá pelo tempo que for necessário. "Nós não temos nenhum prazo artificial, seis, oito, nove (da manhã), para nós, o dia todo (de hoje) pode acabar na próxima manhã", advertiu. Os países do G5+1 negociam com o Irã há mais de um ano e meio e estipularam como prazo limite a meia-noite de hoje para se fechar um acordo, o que permitirá que o grupo tenha três meses para lapidar os aspectos técnicos e legais, antes do dia 30 de junho. Os Estados Unidos, inimigo do Irã há décadas, foi o país que mais se envolveu nas conversas nos últimos meses, mas Alemanha, China, França, Grã-Bretanha e Rússia também fazem parte da mesa. Na tarde de hoje, a Casa Branca confirmou que as negociações poderiam se estender até amanhã e, portanto, passar do prazo, se isso for algo "útil". Segundo a análise de Baidi Nejat, todas as partes estão "comprometidas com o processo". No entanto, o diplomata iraniano alertou que "todos devem tomar decisões difíceis". Ao ser questionado se acredita que haverá um acordo, Baidi Nejat respondeu que o mesmo "será alcançado quando tivermos as soluções, estamos concentrados em encontrar essas soluções". O G5+1 quer conseguir um acordo que garanta que Teerã não poderá contar com a capacidade para adquirir o material e o conhecimento para produzir uma bomba atômica. EFE mh-jk/rpr (foto)












