Irã reduz expansão da capacidade nuclear sob Rouhani, mostra relatório da AIEA
Internacional|Do R7
Por Fredrik Dahl
VIENA, 14 Nov (Reuters) - O Irã praticamente suspendeu a antes rápida expansão de sua capacidade de enriquecimento de urânio desde que Hassan Rouhani assumiu a Presidência, mostrou um relatório de inspeção da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quinta-feira, em um potencial incentivo para a diplomacia pôr fim à disputa nuclear iraniana.
Em outra descoberta que pode ser vista como positiva pelo Ocidente, o relatório trimestral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) afirmou que nenhum outro componente importante foi adicionado a um potencial reator de produção de plutônio desde agosto.
A acentuada desaceleração no crescimento da atividade iraniana do possível uso no desenvolvimento de bombas nucleares pode ter por objetivo apoiar a dramática mudança de tom de Rouhani com o Ocidente depois de anos de confrontação e reforçar a mão de Teerã nas negociações com as potências mundiais, que devem ser retomadas em 20 de novembro.
O reator Arak, que o Irã disse anteriormente que iria iniciar as atividades no primeiro trimestre de 2014, mas cuja data foi adiada, é de grande preocupação para as potências ocidentais, já que poderia produzir plutônio para armas quando estivesse operando. Foi um importante ponto nas conversas entre o Irã e as potências em Genebra na semana passada.
O Irã "congelou mais ou menos" a construção do reator de água pesada, disse um diplomata sênior familiar com o relatório da AIEA.
O documento trimestral da AIEA, examinada minuciosamente pelos governos ocidentais, foi o primeiro a incluir o desenvolvimento de atividades depois que Rouhani assumiu o posto em 3 de agosto, provocando uma abertura diplomática durante a qual o Irã e as seis principais potências fizeram progressos em direção ao fim do impasse sobre sua atividade nuclear.
O relatório também mostrou que o estoque de urânio enriquecido a alto grau do Irã aumentou desde agosto em cerca de 5 por cento, para 196 quilos, em grande parte devido a uma suspensão temporária na conversão do material em combustível do reator.
Mas a quantia de gás de urânio enriquecido para uma concentração físsil de 20 por cento ainda permanecia abaixo dos cerca de 250 quilos necessários para uma bomba se fossem processados além disso, um volume que Israel indicou ser uma "linha vermelha" que poderia provocar uma ação militar contra a República Islâmica.
O Teerã nega acusações ocidentais e israelenses de que está buscando a capacidade de fabricar armas nucleares, dizendo que está enriquecendo o urânio apenas para a energia pacífica. Mas sua recusa até agora de reduzir seu programa nuclear, ou abri-lo para inspeções irrestritas da AIEA, atraiu sanções duras que danificaram bastante a economia dependente de petróleo.
A AIEA disse que o Irã havia instalado apenas quatro centrífugas de primeira geração, que são máquinas usadas para refinar urânio, em sua usina de Natanz desde agosto, em um total de 15.240. No período prévio de três meses, de maio a agosto, colocou em funcionamento mais 1.800. Nem todas as centrífugas instaladas estão operando.
O relatório da agência da ONU sediada em Viena também disse que o Irã não tinha instalado mais nenhuma centrífuga mais avançada, que pode refinar urânio mais rapidamente do que o modelo IR-1, que também preocupou o Ocidente.
Rouhani sucedeu o linha-dura Mahmoud Ahmadinejad em agosto, prometendo tentar resolver a disputa nuclear de uma década e garantir uma amenização das sanções ao comércio e às finanças do país.











