Iraque recai na violência sectária perante paralisia das forças políticas
Internacional|Do R7
Amre Hamid. Bagdá, 17 dez (EFE).- A escalada da violência sectária e o aprofundamento do abismo de desconfiança entre os grupos políticos dominaram em 2013 a cena iraquiana, aguçada pela guerra civil na vizinha Síria, com a qual compartilha uma ampla fronteira. O dilema mais preocupante que o Iraque enfrentou durante este ano foi a deterioração da segurança, já que os grupos terroristas intensificaram seus ataques em diferentes províncias, principalmente, contra a majoritária população xiita e as forças de segurança. Segundo a Missão da ONU no Iraque (Unami), 8.127 pessoas morreram entre janeiro e novembro pelos atos de violência no Iraque, entre eles 7.175 civis e 952 membros das forças de segurança e militares. Outras 16 mil pessoas ficaram feridas nos ataques. O analista e ex-militar Hassan al Lahibi declarou à Agência Efe que a deterioração da segurança está ligada à fraqueza dos serviços de inteligência, à desconfiança entre os corpos de segurança e à designação de altos cargos em função de sua lealdade ao governo, e não de sua competência. Lahibi considerou que a situação piorou pela guerra civil na Síria, que explodiu em março de 2011, o que favoreceu a aparição de novos grupos terroristas que controlam várias passagens fronteiriças comuns. Dois fatos em particular agravaram a escalada da violência neste ano: a morte de 25 manifestantes sunitas pela repressão policial de um protesto, em abril, no povoado de Al Huyaiya, no norte, e a fuga de mais de 500 terroristas das prisões de Abu Ghraib e de Al Hut, nos subúrbios de Bagdá. A onda de protestos da minoritária comunidade sunita, que se considera discriminada pelo governo central do xiita Nouri al Maliki, começou no final de dezembro 2012 na província ocidental de Al-Anbar. Posteriormente, as manifestações se estenderam a outras regiões, especialmente após a detenção de vários guarda-costas do ministro das Finanças, Rafei al Essawi, membro da coalizão opositora Al Iraqiya, de tendência laica e integrada por líderes sunitas e xiitas. O analista político Raed al Mula considera que a raiz dos protestos não é a detenção dos guarda-costas de Essawi, mas a marginalização que sentem os sunitas, assim como as batidas policiais e as detenções praticadas pelas autoridades em suas cidades. A lei antiterrorista e a chamada Lei de Justiça e Prestação de Contas, que pretende isolar da função pública os ex-membros do antigo partido governamental Baath, são aplicadas somente contra os sunitas, segundo Al Mula. No entanto, o que mais alimenta a crise é a falta de confiança entre os diferentes componentes da cena política atual no Iraque. Mula acredita que este ambiente de desconfiança se desencadeou depois que Maliki e sua coalizão xiita se desentenderam do chamado acordo de Erbil, no qual se baseou a formação do governo. Em novembro de 2010, os grupos políticos assinaram na cidade curda de Erbil um acordo que permitiu formar o governo atual e pôs um fim no vazio político desencadeado pelos apertados resultados das eleições legislativas desse ano. No entanto, durante 2013, o acordo de Erbil ficou em interdição, assim como a capacidade dos blocos políticos de pôr fim a uma espiral de violência que parece não ter fim. EFE ah-ms/rsd













