Irmandade Muçulmana egípcia recorre de decisão judicial que proíbe atividades
Internacional|Do R7
Cairo, 1 out (EFE).- A Irmandade Muçulmana do Egito apresentou nesta terça-feira um recurso contra a decisão judicial que proibiu na semana passada suas atividades e congelou seus bens, informaram à Agência Efe fontes da confraria e judiciais. Um responsável do escritório de informação da Irmandade, Islã Taufiq, explicou que foi pedida a cessação do cumprimento da sentença e que o recurso detalha que a Corte não tem competência para abordar este caso. Está previsto que o Tribunal de Assuntos Urgentes do bairro cairota de Abdin, que ditou a sentença, estude no próximo dia 22 de outubro o recurso dos islamitas. Segundo a Irmandade Muçulmana, dita Corte não deveria ter emitido nenhuma decisão judicial porque a causa é de competência do Tribunal Administrativo. O grupo também denunciou que não foi notificado à confraria este processo para que pudesse se defender, acrescentou Taufiq, que qualificou a decisão de "nula". Caso o Tribunal de Assuntos Urgentes rejeite o recurso na sessão prevista para o dia 22, Taufiq adiantou que o grupo apresentará um requerimento perante a Corte Administrativa explicando que essa Corte é incompetente para julgar a causa. Em 24 de setembro, o Governo egípcio decidiu atrasar a adoção de qualquer medida com relação a este caso à espera do pronunciamento definitivo da justiça. A decisão judicial, ditada um dia antes, estipula "a proibição das atividades da Irmandade Muçulmana no Egito, sua ONG e qualquer grupo que derive e seja financiado por eles". Esta sentença também afeta às entidades que recebem ajuda financeira de qualquer membro da Irmandade e ordena o congelamento de seus fundos e propriedades. Este grupo ultraconservador de grande influência na região está acostumado a trabalhar na sombra e teve uma série de encontros e desencontros com o poder desde sua fundação em 1928 por Hassan el Bana. A confraria foi ilegalizada em 1954 por Gamal Abdel Nasser, uma situação que se manteve durante o regime de Hosni Mubarak (1981-2011), quando foi um pouco tolerada e inclusive alcançou 88 cadeiras no Parlamento em 2005 com candidatos que concorreram como independentes. Após a revolução contra Mubarak, um dos seus, Mohammed Mursi, chegou à Presidência em junho de 2012, mas um ano depois foi derrubado em um golpe militar, que desencadeou uma perseguição aberta contra os islamitas. EFE aj/ff












