Irritados com inação da ONU, sauditas rejeitam vaga no Conselho de Segurança
Internacional|Do R7
Por Angus McDowall
RIAD, 18 Out (Reuters) - A Arábia Saudita rejeitou nesta sexta-feira uma cobiçada vaga no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, em uma rara demonstração de insatisfação com o fracasso da comunidade internacional em lidar com a guerra na Síria e com outras questões do Oriente Médio.
O reino condenou a suposta ambiguidade internacional em relação ao Oriente Médio e exigiu reformas no Conselho de Segurança, onde desentendimentos entre os principais membros impedem qualquer ação a respeito da Síria.
No passado, a frustração de Riad estava dirigida principalmente à Rússia e à China, mas agora ela se estende a Washington, seu mais tradicional aliado internacional, que desde a Primavera Árabe adota políticas que contrariam os governantes sauditas.
Além da guerra civil síria, o governo saudita citou também o fracasso do Conselho de Segurança em resolver o conflito israelo-palestino e em impedir a proliferação nuclear no Oriente Médio.
Em nota, a chancelaria afirmou que a Arábia Saudita "está evitando se tornar membro do Conselho de Segurança da ONU até que ele seja reformado de modo a realizar de forma efetiva e prática seus deveres e cumprir suas responsabilidades na manutenção da segurança e da paz internacionais".
A Arábia Saudita, que integra a ONU desde sua fundação, foi um dos cinco países eleitos na quinta-feira para um mandato de dois anos no Conselho, que tem um total de 15 países.
O Conselho de Segurança, que tem poder de autorizar ações militares, impor sanções e estabelecer operações de paz, tem 10 membros temporários, eleitos por um sistema de rodízio regional. Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia e China são membros permanentes com poder de veto.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse não ter recebido nenhuma confirmação oficial da Arábia Saudita sobre a recusa. Seria a primeira vez que os sauditas participariam do Conselho.
O único caso anterior em que um país abandonou o Conselho de Segurança foi em 1950, quando a União Soviética boicotou sua vaga permanente durante meio ano, em protesto por Taiwan ocupar na época o lugar que deveria ser da China.
Tradicionalmente, o conservador reino saudita evita afirmações políticas incisivas, preferindo exercer sua influência pelo fato de ser o maior exportador mundial de petróleo, berço do islamismo e principal aliado árabe dos EUA nos bastidores.
Os governantes sunitas do país travam contra o Irã, um país xiita e não-árabe, o que veem como uma disputa crucial para o futuro do Oriente Médio, a qual se reflete no conflito sírio. Riad apoia os rebeldes que tentam derrubar o presidente Bashar al-Assad, que por sua vez tem no Irã um dos seus principais aliados.
Há duas semanas, o chanceler saudita, príncipe Saud al-Faisal, já havia cancelado seu discurso na Assembleia-Geral da ONU, no que fontes diplomáticas apontaram como uma reação à inação internacional.
(Reportagem adicional de Reem Shamseddine, em Khobar; de Lou Charbonneau e Michelle Nichols, em Nova York; de Steve Gutterman, em Moscou; e de Nicholas Vinocur, em Paris)












