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Itália reelege Napolitano presidente

Internacional|Do R7

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O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, 87, foi reeleito neste sábado pelo Parlamento, a pedido das duas maiores forças políticas, ante o atoleiro político no país, o que gerou protestos nas ruas, organizados pelo movimento antissistema do comediante Beppe Grillo, que denuncia "um golpe de Estado".

"Temos que levar em conta, como fiz pessoalmente, que a situação do país é difícil", afirmou Napolitano, em sua primeira declaração.


A reeleição do ex-comunista na sexta rodada de votações, por 738 dos 1007 eleitores, foi aplaudida longamente no Parlamento.

Paralelamente, na praça externa, grupos de manifestantes, entre eles simpatizantes do Movimento Cinco Estrelas, de Grillo, gritavam "Vergonha! Vergonha!" contra a nomeação de Napolitano, classificada de "amostra de um país paralisado e sem forças".


"Estão desesperados. Trata-se de um golpe de Estado. Querem impedir a mudança", publicou Grillo em seu blog, sugerindo a realização de uma passeata de protesto até Roma.

Seu candidato, o renomado jurista Stefano Rodotá, conhecido por sua independência e que obteve 217 votos, distanciou-se de qualquer passeata na capital, e reconheceu que perder faz parte das regras da democracia.


O 12º presidente da Itália concordou em permanecer no cargo, que ocupa há sete anos, "por responsabilidade perante o país", e pela incapacidade das forças políticas de eleger no Parlamento, como prevê a Constituição, uma figura nova".

Napolitano foi reeleito após um acordo entre o Partido Democrático (PD), de Pierluigi Bersani, e a direita de Silvio Berlusconi, com o apoio das forças moderadas do premier Mario Monti.


"Hoje é um dia importante para a República. Agradeço a Napolitano por seu espírito de serviço e por sua generosidade, tanto pessoal quanto política, por ter aceito este compromisso em um momento tão difícil, marcado pela incerteza", declarou Berlusconi, visivelmente satisfeito.

A decisão do atual chefe de Estado, que concluirá seu mandato com 94 anos, é inédita, por ser a primeira vez que um presidente italiano é reeleito.

Napolitano, que, em sete anos de mandato, precisou resolver intrincadas crises políticas, aceitou o pedido, embora não se saiba se ele impôs condições, como a formação de um governo que consiga aprovar a reforma da polêmica lei eleitoral, principal culpada pela ingovernabilidade.

A eleição do chefe de Estado pelo Parlamento, que se reunia duas vezes por dia para votar desde a última quinta-feira, representou uma derrota para o PD, à beira da implosão e do chamado "suicídio político".

A terceira maior economia da eurozona encontra-se à deriva, diante de uma das piores crises políticas e econômicas da história republicana.

Itália encalhada

"A Itália está encalhada. Não faltam apenas uma maioria e um governo ao país, mas também a capacidade de eleger o chefe de Estado", diz o editorial do jornal "La Repubblica", intitulado simbolicamente de "O naufrágio".

A esquerda, vencedora parcial das eleições legislativas do fim de fevereiro, não conseguiu a eleição à chefia de Estado de dois importantes candidatos devido às graves divisões internas.

O caos reina no PD desde que o ex-primeiro-ministro Romano Prodi, entre seus líderes mais prestigiados, saiu queimado, nesta sexta-feira, da traição de 101 parlamentares do próprio partido, contrários à liderança de Pier Luigi Bersani e à sua incompreensível linha política.

"Nenhuma decepção", afirmou Prodi após a vitória de Napolitano.

A guerra impiedosa entre as correntes do PD foi definida como "canibalismo cego" pela imprensa, que fala em "suicídio coletivo".

Com um país sem maioria clara, dividido em três partes irreconciliáveis após as eleições legislativas, realizadas há mais de 50 dias, os líderes da esquerda, da direita e do centro optaram por uma figura conhecida, que oferece garantias a todas as forças e acalma o clima tenso, mas deixa incertezas em relação ao desejo de mudança manifestado por boa parte do eleitorado italiano no fim de fevereiro.

kv/jo/ma

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