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Jogadores de Pokémon Go podem ter ajudado drones militares dos EUA sem saber

Escaneamentos feitos no aplicativo teriam ajudado sistema de navegação em ambientes sem GPS, segundo jornal

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Milhões de jogadores de Pokémon Go podem ter contribuído sem saber para o desenvolvimento de tecnologia militar dos EUA.
  • Dados coletados pelo jogo foram usados para treinar um sistema de navegação em ambientes sem GPS, segundo o jornal holandês Trouw.
  • A Niantic Spatial, responsável pelo sistema, anunciou parceria com a Vantor para uso em drones militares.
  • Preocupações éticas surgiram sobre o uso dos dados, com especialistas questionando a transparência e o uso responsável das informações coletadas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O jogo para celulares Pokémon Go conquistou milhões de pessoas no mundo inteiro Unsplash/Mika Baumeister

Milhões de jogadores de Pokémon Go podem ter contribuído sem saber para o desenvolvimento de uma tecnologia usada em drones e robôs militares dos Estados Unidos. A informação foi revelada pelo jornal holandês Trouw e envolve dados coletados ao longo de anos por meio dos escaneamentos feitos pelos usuários dentro do jogo.

Segundo a publicação, quase 30 bilhões de imagens e registros capturados por jogadores em diferentes partes do mundo foram incorporados a um sistema criado pela Niantic Spatial, empresa derivada da desenvolvedora original de Pokémon Go. O material teria servido para treinar um modelo tridimensional de navegação capaz de funcionar mesmo em locais onde o sinal de GPS não está disponível.

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O sistema chamou atenção após a Niantic Spatial anunciar, no fim do ano passado, uma parceria com a empresa americana Vantor. Especializada em softwares de inteligência espacial para defesa, a companhia informou que pretende usar a tecnologia em drones e outros robôs militares.

A Niantic Spatial afirma que não utiliza diretamente os dados do Pokémon Go em projetos militares. No entanto, segundo o Trouw, a empresa também evitou confirmar se o modelo atualmente empregado foi treinado a partir dos escaneamentos feitos pelos jogadores do aplicativo.

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As preocupações também envolvem registros feitos dentro de residências. Um executivo da Niantic Spatial afirmou em entrevista publicada no site da Vantor que a empresa gostaria de ampliar a coleta de imagens em ambientes internos.

O professor de ética e tecnologia da Universidade TU Delft, Jeroen van den Hoven, afirmou ao jornal que o gigantesco volume de imagens produzido pelos usuários foi essencial para acelerar o desenvolvimento do sistema. Segundo ele, mesmo que a contribuição dos jogadores tenha sido indireta, ela ajudou no avanço de aplicações militares.

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Van den Hoven explicou ainda que, após serem incorporados a modelos de inteligência artificial, os dados originais deixam de ser facilmente rastreáveis. Isso dificultaria identificar exatamente quais partes da tecnologia foram treinadas com imagens capturadas pelos usuários do jogo.

A discussão ganhou força porque a própria empresa já havia admitido anteriormente que os escaneamentos do Pokémon Go foram usados em uma versão inicial do sistema. Na época, a declaração foi feita em resposta a questionamentos sobre outra parceria comercial, desta vez com a Coco Robotics, empresa de robôs de entrega autônoma que atua nos Estados Unidos e na Finlândia.

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Em nota citada pelo Trouw, a Niantic Spatial declarou que os jogadores aceitaram voluntariamente os termos de uso do aplicativo e que a companhia trabalha de forma ética. A empresa também afirmou estar comprometida com o uso responsável de suas tecnologias, respeitando direitos humanos e princípios éticos.

Para o professor Van den Hoven, os consumidores foram enganados sobre o destino de seus dados. Segundo ele, muitas empresas utilizam grandes volumes de informação pessoal não necessariamente para melhorar a vida das pessoas, mas para gerar lucro com a venda de bancos de dados e modelos de inteligência artificial.

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